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leonbutcher: jogar não é mais um hobby

Por Bruno "leonbutcher" Pereira
Colunista de myCNB.com.br

Fala, pessoal!

Semana agitada, hein... Seguindo a crista da onda, nesta semana escrevo sobre o "Dia D do League of Legends", "Dia do roleplay" ou, para os íntimos, 4 de fevereiro.

Este não é um texto informativo. O SUPREMO, editor do myCNB, fez matéria sobre uma das mudanças que veio à tona nesta data – as saídas de dois jogadores na Keyd Team. Comentarei esta notícia e outras especulações (que, por não passarem de especulações até segunda ordem, não entraram no site como matéria, por enquanto).

Como todos vocês, não sou o dono da verdade e peço para que, se concorde ou discorde de mim, comente no post e, assim, criaremos um debate saudável, como sempre vejo nos meus posts.

O dia começou tranquilo e eu falava com o Takeshi no Facebook depois de ler a notícia da saída de Danagorn, Lunacy e Draek do CNB e-Sports Club. Só que, a partir das 22h30, começou a aparecer uma série de rumores sobre o cenário competitivo. Não sei qual foi a gota d'água para tudo isso explodir.

Entre os acontecimentos, Krow, Jungler da Seven Wars, xinga o Necro; Snowlz e Revolta tiram tag da Keyd; Volcan está bravo e perdeu um amigo de longa data; Necro fala para o esA entrar no CNB e largar seu time pequeno (Seven Wars) para bater na paiN.

Eu me senti perdido em meio a tudo que estava sendo postado, sem fôlego e sem saber o que era verdade e o que era mentira. E eu nem citei a MAD Gaming e o MiT saindo da paiN um ano após sua saída da paiN (a notícia foi repostada de brincadeira).

Depois que a poeira abaixou e algumas pessoas confessaram as trollagens, tivemos mais tempo para analisar e acabaram surgindo diversas opiniões muito legais sobre mudanças e profissionalização no cenário. É aqui que, de fato, começa minha opinião.

Um dos rumores do dia 4, a saída de Revolta da Keyd, acabou se confirmando

O ano passado foi de muito crescimento do competitivo brasileiro em diversos aspectos. No entanto, não podemos confundir crescimento com nível. É importante dizer que no começo de um cenário competitivo, as mudanças nas organizações são perfeitamente normais, contando inclusive as transferências de jogadores.

Muitos vão citar o caso da paiN Gaming, que raramente muda os jogadores. A paiN é uma das organizações mais estruturadas do Brasil e está blindada contra certas coisas que eventualmente aconteçam. O CNB, a exemplo do rival, caminha para uma estruturação maior. Vale lembrar que os jogadores que deixaram o time não foram dispensados ou saíram. Eles não tiveram os contratos renovados. E isso muda muita coisa.

É imprescindível que os jogadores sejam amigos além de colegas de profissão. No entanto, todos têm que estar cientes de que jogar não é mais um hobby. É a profissão deles. Cito o exemplo do Takeshi. Ele jogava com o Danagorn desde 2010 (ainda no Ragnarok, na época) e teve a coragem e a hombridade de ter uma franca conversa com o time inteiro e falar que alguns contratos não seriam renovados, inclusive o do cara que o conhece melhor do que qualquer um desse servidor inteiro. Claro que a decisão não foi exclusivamente dele e sim tomada em conjunto com o restante da equipe e a direção, mas cito o Takeshi por ser o capitão.

Jogadores mudam a vida e dedicam horas de treino para ser jogador (Foto: paiN)

A amizade é receita do sucesso e a SK Telecom T1 K está aí pra provar isso, já que os jogadores se consideram uma família. Quando um time não está bem com um jogador, a troca é uma alternativa. Ou ninguém se lembra da saída do Chaox da Team SoloMid? Do Shushei da fnatic? Saintvicious da Counter Logic Gaming? São muitos os exemplos. E promover mudanças é uma aposta de risco, pois mexe com a fanbase, com os jogadores que ficam, com os que saem, com a organização e com outros.

Portanto, eu acho no mínimo desrespeitoso falar que um time fez cagada ao tirar alguém sem antes ver os resultados. Pode ser positivo como no caso da TSM-Chaox ou negativo como no da fnatic-Shushei (na época), mas as decisões não são tomadas de um dia para o outro. Vale a aposta, mas sabendo do risco que se corre.

Time coreano SKT é exemplo de união que deve ser seguido (Foto: Divulgação)

Nessa crescente que está o cenário competitivo brasileiro, os times têm que aprender a como se portar e se unir, criando uma família. Por ser uma família, todos os jogadores devem saber que, se não estiverem focados, vão afetar todos os "irmãos", fora que, voltando àquele ponto, jogar agora é a vida deles e muitos abriram mão de estar ao lado da família e dos amigos, numa faculdade se preparando para uma carreira convencional e no conforto da sua casa, para gastar horas e horas treinando, vendo e analisando jogos e perseguir o sonho de ser jogador.

Nunca se batalhou tanto como agora. Quando estamos nessa crescente, as pessoas começarem a desperdiçar tudo. Torço muito para todos vocês, galera, todos mesmo. E não quero que tudo isso acabe. Por todos nós!

SOBRE
Estudante de jornalismo, leonbutcher tem 19 anos e atua como narrador de League of Legends desde o início de 2012, quando participou da transmissão do classificatório da Intel Extreme Masters São Paulo. Narrou competições importantes, como o showmatch de abertura do servidor brasileiro e os Campeonatos Brasileiros de 2012 e 2013. É colunista do site do CNB e-Sports Club desde outubro de 2013.