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Coluna do DrPuppet #1: Mudanças no Circuito Desafiante brasileiro

Pouco tempo atrás aconteceram as séries de classificação para o Campeonato Brasileiro (CBLoL). Neste ano, nenhum dos times desafiantes conseguiu se classificar. O mais impressionante disso é o jeito com que os jogos ocorreram. Quando vi o nível das partidas, fiquei chocado.

Para alguém que já treinou vários times, de diferentes níveis e de várias regiões, isso é uma clara "wake up call" para um País que quer se tornar uma região importante em certo tempo. Os resultados e performances mostraram que é preciso mudar algo. Mas como?

Até esta temporada, as classificatórias eram disputadas pelos times que juntam mais pontos jogando torneios como o GO4LoL. Dessa maneira, todo mundo podia participar e se qualificar para a série de Promoção. Era só arrecadar pontos suficientes.

O sistema de circuito de pontos não é ruim, mas obviamente há coisas ruins e boas. Vamos começar falando dos pontos fortes.

O sistema fazia o GO4LoL se tornar importante. Na Europa e nos Estados Unidos, esses campeonatos perderam a relevância há muito tempo. Eles não valem dinheiro - só RPs - e, com sorte, a final mensal paga em dinheiro.

Dar certa importância para esse tipo de torneio incentiva as equipes melhores a participar e manter as competições relevantes também para investidores e patrocinadores.

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Circuito Desafiante terá sistema de liga, assim como Challenger Series (Foto: Riot Games)

Outro ponto positivo é que, assim, todo mundo pode participar e se classificar. Literalmente, o "american dream" do League of Legends. O formato dá oportunidades para times novos a ter certa exposição e também a chance de jogar contra times melhores, o que pode ajudá-los a melhorar.

Enquanto é bom para times novos e pequenos, o sistema é negativo para as equipes que estão com níveis mais altos e certa estrutura. O problema desse formato é que os melhores times são forçados a jogar contra times muito mais fracos nesses torneios para poder arrecadar os pontos necessários para ir para a classificatória. Ou seja, perdem tempo muito valioso para treinamento, já que os torneios podem se estender por um dia inteiro.

Outro problema que existia era a falta de jogos e torneios oficiais, já que, no sistema que vinha sendo usado no Brasil, havia seis campeonatos para juntar os pontos. Os times ficavam muito tempo sem jogar, o que era ruim para evoluir mais rápido, pois havia pausas grandes entre os torneios.

Era difícil se comprometer full time para se tornar um jogador profissional, já que não só havia poucos torneios para disputar como também não entrava dinheiro suficiente para os jogadores poderem se manter. Com isso, jogadores e equipes não conseguiam adquirir experiência suficiente - online e presencial - para crescer o suficiente para se qualificar para o CBLOL.

Entretanto, o sistema do Circuito Desafiante brasileiro mudou, para um formato bem parecido com o CBLoL deste ano.

Esse tipo de formato - usado no Challenger Series - ajudou muito o cenário internacional. Times tiveram a chance de jogar em um sistema similar à LCS e se sustentar o suficiente, já que há salários para esses times. O bom do formato é que os times crescem mais rapidamente por terem uma quantidade de jogos maior para adquirir a experiência necessária.

Se eu tivesse uma crítica a dar no formato anunciadao para o Circuito Desafiante do Brasil é que ainda há poucos times no Challenger Series e que os playoffs não são offline.

A mudança para esse sistema, pelo menos parecido, irá revolucionar o cenário desafiante. E não apenas o sistema que precisávamos para ter um novo cenário, mas também dará a chance para os jogadores levarem o game como trabalho "full time".

Além disso, a Xtreme League - responsável pelo Circuito Desafiante - irá aliviar um pouco o trabalho da Riot Games, trazendo boas ideias de fora. Isso vai ajudar muito o cenário.

Uma das críticas que eu tenho sobre o cenário competitivo de League of Legends é a falta de competições para o circuito desafiante fora do Challenger Series e da LCS. Há poucos torneios com importância, e não há campeonatos relevantes, valendo dinheiro.

Isso é ruim para os times se manterem para treinar para se classificar para o CBLoL. Por causa da falta de torneio, faltam dinheiro e visualizações para angariar patrocinadores. Esse é um problema geral na Europa e na América do Norte, e espero que, no Brasil, não seja um problema muito grande.

As mudanças anunciadas para o cenário brasileiro são, com certeza, um grande passo na direção certa. Só espero que, no ano que vem, consigamos continuar nesse ritmo, com estrutura vinda da Riot e claramente de fora.

A mudança que vai acontecer com a adição do Circuito Desafiante deve elevar o nível do cenário brasileiro muito rápido. Só de ter mais seis ou oito times lutando para entrar no CBLoL, nós teremos muito mais jogadores jogando profissional e, assim, haverá muito mais talentos surgindo em pouco tempo.

Europa e América do Norte são bons exemplos de quantos talentos novos apareceram por causa da introdução do sistema de liga no Challenger Series. Só espero que isso aconteça também com o Circuito Desafiante no Brasil.

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* Alexandre "DrPuppet" Weber é analista e auxiliar técnico da equipe de League of Legends Last Kings, do Chile. Ele é nascido no Brasil, mas mora na Alemanha desde os 9 anos. Treinou o Kaos Latin Gamers (KLG) e levou a equipe à decisão do International Wildcard nesta temporada. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre League of Legends europeu e latino-americano nos dias 15 e 30 de todo mês.
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