Siga o MyCNB  
  • Menu
  • Colunas
  • Coluna do Rafael Pereira #1: O papel da Psicologia nos e-sports

Coluna do Rafael Pereira #1: O papel da Psicologia nos e-sports

Olá, pessoal!

Bom, acredito que todo início precisa de uma apresentação. Meu nome é Rafael Pereira e sou graduando da Universidade Federal de Santa Catarina e criador de um projeto de pesquisas e intervenções de uma psicologia voltada para os esportes eletrônicos, com o Laboratório de Educação Cerebral e Psicologia do Esporte. No ano de 2014, iniciei um trabalho com a CNB e, a partir de agora, também colunista no MyCNB.

Nessa coluna pretendo trazer algumas informações sobre as atuações da psicologia dentro dos e-sports e dicas para quem quer melhorar dentro do jogo, além de vários comentários numa visão diferente sobre o que ocorre nesse mundo em que o jogo é coisa séria. E, para o primeiro assunto, nada melhor do que explicar qual o papel de um psicólogo dentro de um time de e-sport.

Um pensamento recorrente é que virar um jogador profissional é algo simples, já que você estaria ganhando dinheiro para jogar. Porém, brincar e trabalhar são coisas muito diferente. Inclusive esse é um ponto que diferencia verdadeiros profissionais do e-sport daqueles que jogam somente por diversão.

Ser um cyber-atleta significa, além de dedicar horas extensivas em partidas no jogo buscando melhorar, aperfeiçoar jogadas e aprender novas estratégias e planejamentos, também realizar atividades que vão além do jogo, com objetivo de obter preparo físico e mental para aumentar suas capacidades cognitivas e de resistência.

O papel de um psicólogo nessa área pode se dividir em pelo menos duas partes: uma que cuida da saúde mental dos jogadores e do time, para que eles não sofram com crises de estresse, não entrem em fadiga e nem permitam que problemas pessoais afetem seu desempenho no jogo, assim deixando o time coeso, unido e forte.

Outra parte cuida de melhorar as habilidades cognitivas, como, por exemplo, atenção, concentração, memória, entre outros, ou seja, tudo que for importante para que os cyber-atletas tenham melhores desempenhos dentro do jogo.

Uma confusão comum que se acontece é achar que quando o psicólogo entra no time, todos esses aspectos mudam magicamente para melhor, mas esse trabalho demanda tempo. Ele é feito normalmente bem antes de se iniciar os campeonatos, durante meses de acompanhamento e intervenção, e é um trabalho que continua por anos. Do mesmo jeito que não acordamos de um dia para o outro com todos nossos problemas resolvidos, também demanda de tempo para cada atleta pôr em prática aquilo que tem trabalhado.

Em casos emergenciais, o psicólogo acaba fazendo papel de bombeiro também, correndo para apagar o fogo, dar um jeito de diminuir tensões erradas a partir de conflitos para que os jogadores voltem a se focar nos treinos e atividades, mas isso não quer dizer que tudo fica totalmente resolvido. Da mesma maneira, esses conflitos e diferenças também são trabalhados com tempo, acolhimento e atenção.

Claro que ainda há outras áreas em que a Psicologia pode atuar para ajudar jogadores e equipes, mas destas vou falando mais para a frente.

-

* Rafael Pereira é graduando de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador de projeto de intervenções e pesquisa voltados para os esportes eletrônicos. É consultor em psicologia da equipe de League of Legends do CNB e-Sports Club. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre psicologia nos dias 5 e 20 de todo mês.
Twitter | Facebook


Veja também:


Tags: rafael pereira, coluna do rafael pereira, psicologia, colunista15