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Coluna do Rafael Pereira #3: a mente dos jogadores em meio a polêmicas

A última semana foi marcada por muitas confusões no League of Legends brasileiro. Teve equipe sendo punida, discussão com jornalista, cyber-atleta inscrito sem ter contratado oficializado e tudo mais.

Porém, algumas coisas me chamaram atenção: como fica a mente dos jogadores em um momento desses? Quando os representantes de seus times começam a discutir e entram em brigas públicas, como isso acaba repercutindo entre os jogadores, no espírito do time e na coesão do grupo? Como um jogador se sente em um grupo do qual havia decidido, em algum momento, sair? Ou também como se sentem jogadores de um time, do qual um dos membros quis sair?

Dentro de uma gaming house, muita coisa acontece. Não é sempre fácil conviver com tantas pessoas diferentes o tempo todo. É natural que, em certos momentos, existam tensões e até discussões. Quem nunca brigou com alguém de casa? O fato é que todos ali costumam trabalhar isso para logo voltar ao espírito de equipe.

Por isso, posso dizer que nem todos precisam ser melhores amigos dentro de um time, mas todos devem confiar totalmente uns nos outros. Confiar em alguém não é necessariamente gostar da pessoa. Quantas pessoas vocês já conheceram e não iam com a cara dela, mas sabiam que, para certas coisas, aquela era a pessoa certa? Quando há confiança, também pode haver respeito, permitindo que cada um tenha seu espaço, sua liberdade e seu modo de pensar, sem que nenhum ultrapasse o direito do outro. Assim é possível montar um ambiente saudável para que esses jogadores possam viver e conviver.

O caso do Loop, nesse meio todo, me chamou atenção. Depois de toda a confusão, ele foi proibido de entrar na paiN Gaming e também não foi escalado para participar do time da INTZ. Um jogador experiente, com tanto tempo de cenário, acabou ficando fora da principal competição no Brasil no início de 2016.

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Envolvido em caso de aliciamento, Loop não jogará 1º Split do CBLoL 2016 (Foto: Riot Games)

Não acredito que Loop deva ser responsabilizado pelo que aconteceu. Seríamos hipócritas se disséssemos que nunca levaríamos em consideração ao sermos chamados por um time que disputou o Mundial. Se era realmente o melhor para ele, não cabe a mim dizer, só ele pode tomar essa decisão.

Mas isso nos leva a pensar o quão é importante a coesão de um grupo, não só para que ele funcione bem, mas para que ele dê segurança para o jogador, mais ainda, para que ele dê segurança para a pessoa que é aquele jogador. Quem de nós nunca sentiu medo de estar fazendo a escolha errada? E quem pode dizer que sempre fazemos? Eu afirmo que, se uma pessoa realmente se sente inserida, e aqui não digo só bem recebida pelos colegas, e sim identificada com o grupo em que está, ela não tem dúvidas em ficar.

Não conheço o Loop pessoalmente, nunca cheguei a conversar com ele, mas fico triste em ver alguém com tanto potencial não participar de um campeonato importante, principalmente quando quem mais faltou com ética foi o time que não cumpriu as regras colocadas pela Riot.

Penso sempre no que pode ser feito de melhor para o cenário brasileiro e chego à conclusão de que, além de jogadores éticos, devemos exigir que os dirigentes de times sejam exemplos positivos de ética e seriedade.

Só assim poderemos de fato crescer com um cenário saudável e íntegro, dando oportunidades iguais tanto para aqueles que estão há mais tempo quanto para os que estão chegando agora. 

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* Rafael Pereira é graduando de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador de projeto de intervenções e pesquisa voltados para os esportes eletrônicos. É consultor em psicologia da equipe de League of Legends do CNB e-Sports Club. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre psicologia nos dias 5 e 20 de todo mês.
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