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Coluna do Djokovic #3: retrospectiva e previsões para as regiões do LoL

E aí, pessoal! Decidi fazer uma retrospectiva do League of Legends competitivo, região a região, falando sobre os acontecimentos e os problemas de 2015 e as previsões para o futuro.

América do Norte

O cenário norte-americano de League of Legends sempre teve uma crescente rivalidade com o europeu. Os americanos vinham levando vantagem, coisa que se inverteu no ano passado. O bom começo da Team Liquid na temporada de Primavera não se concretizou nos Playoffs, vencidos pela TSM, campeã também da 9ª temporada da Intel Extreme Masters.

Na de Verão, a CLG venceu o épico clássico, se classificando junto à TSM para o Campeonato Mundial. A grande surpresa foi a cloud9, que, depois de vários confrontos, conquistou a terceira vaga para o World Championship. No Mundial, o time mostrou grande trabalho em equipe, com destaque para as jogadas de Balls e Incarnation, como podemos conferir abaixo na emblemática partida contra a poderosa fnatic.

No entanto, nenhum time norte-americano figurou entre os oito participantes da fase final do Mundial, situação preocupante para o cenário, que parece mais preocupado com holofotes do que propriamente com vitórias e que se adaptou mal ao meta do Worlds (com exceção, talvez, da C9).

Para 2016, várias contratações de peso foram anunciadas, não só pelos times tradicionais no cenário como pelas novas equipes que compraram vagas de outras na liga principal. Os maiores investimentos vão possibilitar uma estrutura ainda maior, tanto na parte física como de atletas e de comissão técnica, apontando para uma grande melhora de qualidade para essa região.

Europa

A evolução do cenário europeu em 2015 foi surpreendente. A Fnatic dominou os dois Splits, sendo que, no 2º, perdeu jogos apenas na final, contra a Origen, time que também cresceu muito e que, junto à fnatic, avançou para os Playoffs do Campeonato Mundial. A H2k conquistou dois terceiros lugares nas edições de Primavera e Verão, mas caiu cedo no Mundial, em grande parte devido ao azar de dividir o grupo com SKT1 e EDG.

Algo que chamou bastante atenção foi a capacidade de adaptação dos times dessa região, perdendo apenas para os coreanos em dinamicidade. Repare que, nos jogos abaixo, Gangplank, recém-atualizado e completamente quebrado, foi prontamente banido ou escolhido em todos os jogos da final de Verão da LCS Europe, enquanto foi esquecido nas finais da LCS North America. Isso reforça a velocidade e capacidade de se moldar dos times da Europa.

Os salários enormes e as melhores condições da América têm sido grande atrativo e provável razão de desfalque para algumas equipes. A maior parte dos principais times teve mudanças importantes nas lines, o que gerou dúvidas sobre a continuidade do sucesso e do crescimento europeus na nova temporada.

Brasil

O Brasil teve neste ano sua melhor atuação em campeonatos mundiais. A paiN conseguiu quase chegar a uma tão sonhada vaga na segunda fase do maior campeonato de LoL do mundo, provando novamente a força das regiões emergentes e chamando os olhares do mundo todo para o cenário brasileiro.

Além disso, a INTZ provou que times novos, com pouco tempo de existência, podem conseguir vitórias expressivas, ao conquistar o título da primeira metade do ano e diversos campeonatos. Os outros times também não decepcionaram: Keyd aposta num time formado com brasileiros, CNB trabalha com revelações e novatos e KaBuM investe em estrutura e equipe técnica. Os únicos pormenores do ano passado foram as atuações no International Wildcard da Turquia e no IWC All-Star.

Para galgar um prestígio ainda maior, o cenário brasileiro deve apostar em união. A rivalidade entre os times sempre vai existir, mas uma coesão maior entre eles, um entendimento de que são todos colegas de trabalho além de oponentes, somado a um respeito maior, podem fazer com que lidemos menos com problemas internos e possamos nos preocupar apenas em melhorar. As novas regras de aliciamento ajudam a manter os times coesos, e a estrutura, cedida tanto pela Riot Games como pelos clubes, aumentou, potencializando a ideia de que 2016 pode ser o ano chave para o reconhecimento definitivo do League of Legends competitivo brasileiro.

Para fechar, o desfecho épico da final regional entre paiN e INTZ deve ser lembrado!

Emergentes

Uma das regiões das quais pouco se fala é o Sudeste asiático. Dominado pela ahq, que se classificou juntamente à Flash Wolves para o Mundial, é possivelmente um dos cenários que mais cresce mundialmente e, devido à proximidade geográfica e de mentalidade com China e Coreia, pode importar conhecimento, jogadores e comissão técnica mais facilmente dos cenários maiores. Não fizeram feio no Mundial e prometem crescer ainda mais em 2016.

Entre os outros cenários, o que chama um pouco a atenção é o turco. Desde o International Wildcard Invitational 2015, do qual a Beşiktaş e-Sports Club se sagrou campeão contra a INTZ, o cenário cresce a grandes passos, com revelação de jogadores excepcionais como Dumbledoge e Energy. Vencedores do IWC All-Star, mostraram também boa habilidade individual, apontando para uma performance ainda melhor neste ano.

A final do International Wildcard Invitational 2015 é um bom atestado da força turca:

China

Com certeza, o cenário do qual mais se esperava em 2015 era o chinês. As organizações abriram as portas para grandes estrelas sul-coreanas, que prometiam tornar a LPL não só a mais disputada das ligas, mas também conquistar o título mundial. A EDG mostrou isso de maneira extremamente convincente, conquistando a LPL Spring e o título do Mid Season Invitational, em uma partida que ficou famosa pela "armadilha" nos picks e bans realizada para baitar e counterar a Le Blanc de Faker. 

No entanto, essa supremacia não se confirmou no Campeonato Mundial. Os times chineses tiveram performances muito abaixo do esperado, devido à adaptação lenta ao meta, a problemas de comunicação dentro e fora do jogo e a diversos tipos de lesões físicas e emocionais em seus jogadores.

Para o ano de 2016, a importação de sul-coreanos está sendo menor, já que a maioria das grandes estrelas permaneceu em território chinês. A China vem forte para esta temporada, apostando não só no brilho de seus astros, mas também em uma estrutura de suporte que possibilite a melhor atuação deles.

Coreia do Sul

O cenário coreano continua sendo considerado o mais forte do mundo. O êxodo em massa de seus jogadores devido às milionárias propostas chinesas e à proibição das equipes irmãs fizeram com que o cenário sofresse no início do ano. Na temporada de Primavera, a SKT1 se mostrava menos dominante do que o esperado, sob a sombra das revelações da (na época) GE Tigers.

Nos Playoffs, a vitória da SKT1 foi ampla, num 3 a 0. Já na temporada de Verão, tivemos a confirmação da vaga para o Mundial tanto da SKT1 como da (renomeada) KOO Tigers e o ressurgimento da KT Rolster, que garantiu o terceiro seed coreano no World Championship.

Uma ótima teamfight no confronto KT vs KOO indicava a grande capacidade dos primeiros em virar jogos perdidos e merece ser relembrada.

Para a temporada 2016, a Coreia vem com algumas baixas, como MaRin, que se mudou para o cenário chinês. Mesmo assim, novas promessas vêm aparecendo, como os jogadores da Ever, time que surpreendeu na KeSpa Cup e na IEM Cologne. Serão os investimentos chineses suficientes para ameaçar a supremacia coreana neste novo ano?

É isso aí!

Feliz Ano-Novo! 

* Thiago "Djokovic" Maia é treinador de League of Legends do CNB e-Sports Club e reconhecido como um dos maiores especialistas do game no Brasil. Foi cyber-atleta de 2012 a 2015, tendo passado por equipes como AceZone, RMA, Team United e INTZ. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015, analisando os patches do LoL e os cenários competitivos.
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Tags: colunista15, coluna do djokovic, retrospectiva 2015