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Coluna do Rafael Pereira #6: como superar o cansaço das decisões

Em algum momento, você já tentou fazer uma escolha e parecia que seu cérebro não ajudava? Simplesmente não conseguia decidir mais nada? Isso se chama fadiga de decisões.

Aparentemente nós temos um número limitado de escolhas que conseguimos fazer no dia. Depois disso, nossa habilidade para decidir cai muito, o que nos atrapalha e impede que façamos escolhas produtivas, pois não estaremos conseguindo levar todos os pontos em análise.

Numa pesquisa feita em parceria por quatro universidades americanas, foram testadas 300 pessoas, colocadas para fazer um número grande de decisões, desde decisões simples e triviais, até coisas mais importantes.

Depois, as pessoas usavam um teste de força mental, que é colocar uma das mãos em água gelada. Já foi feito um teste anterior que comprova que sua força de autorregulação e decisão está ligada ao tempo que você aguenta com uma mão na água gelada.

Como resultado, constataram que as pessoas que fizeram anteriormente muitas decisões no dia, aguentaram menos tempo, e, quando era pedido para que escolhessem mais coisas depois, elas demoravam bastante para chegar a um resultado ou ficavam procrastinando.

Já as que não precisaram fazer tantas decisões no dia, além de aguentar mais tempo com a mão na água gelada, também podiam fazer novas escolhas em velocidade normal.

Com essa pesquisa, chegou-se à conclusão que quanto mais precisamos fazer decisões, e quanto mais essas decisões são forçadas por outras pessoas, mais nosso cérebro "cansa" durante o dia, se recuperando em uma boa noite de sono. Mas como isso afeta então nosso poder dentro do jogo? Como isso afeta a performance? E como melhorar isso?

Uma das propostas é que a gente aprenda a fazer menos escolhas durante o dia, mas escolhas mais decisivas. Ao levantar, é importante hidratar o corpo e separar um tempo para meditar.

A meditação é uma forma de acalmar a mente, a trazendo para o aqui e agora, e deixando que ela se fortaleça, impedindo você de ficar pensando em coisas que ainda não tem necessidade.

Depois é colocar, de preferência num papel, quais são seus objetivos e quais as decisões mais importantes do dia. E usar essa primeira hora do dia para essas decisões mais importantes, pois é o momento que sua mente está mais fresca.

E agora vem uma parte importante: acredite em si mesmo! Quando você já fez uma decisão com calma, você precisa confiar em si mesmo e segui-la, evitando, assim, sobrecarregar a mente pensando de novo o que você já decidiu antes. Deixe para o resto do dia as decisões menores. Quanto mais você aprende a meditar e a manter-se no presente, melhor você consegue se recuperar e melhor vai se sentir durante o dia.

Muitas das propostas feitas em times profissionais de e-sports, de lhes impor uma rotina e atividades que os ajudem a melhorar como jogadores, é para justamente diminuir essa necessidade de "desgastar" a mente do jogador.

Isso não quer dizer que o jogador tem de ser um robô, e só seguir tudo sem questionar, mas sim que muitas coisas ele pode economizar a mente, deixando para usar essa carga de decisões para aquilo que ele gosta mais, aquilo que ele se identifica mais.

Para isso, é necessário que ele confie no trabalho que está sendo feito, e que toda a equipe técnica esteja alinhada com esse pensamento, pois, assim, permitimos que o jogador tenha melhor qualidade de vida, saúde e energia mental para melhorar a performance. 

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* Rafael Pereira é graduando de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador de projeto de intervenções e pesquisa voltados para os esportes eletrônicos. É consultor em psicologia da equipe de League of Legends do CNB e-Sports Club. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre psicologia nos dias 5 e 20 de todo mês.
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