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Coluna do DrPuppet #7: Os problemas e as soluções da fnatic

No inicio deste ano, a equipe de League of Legends da fnatic perdeu três jogadores muito importantes. Entre eles, o Support e líder do time, YellOwStar.

No começo de 2015, o Support teve o difícil dever de remontar a fnatic do zero depois que os ex-companheiros, que estavam juntos desde 2013, deixaram o time. Chamando jogadores relativamente desconhecidos e com pouca, até nenhuma, experiência competitiva, YellOwStar montou um time que, não só ganhou dois Splits da LCS, como também chegou às Semifinais do Campeonato Mundial.

Este ano começou bem parecido para o time da fnatic, só que, desta vez, quem está remontando a equipe são Rekkles e Febiven. Em 2016, tudo parece um pouco mais complicado do que no ano passado. Os novos Jungler e Solo Top estão funcionando, mas o Support, aparentemente, não está. A organização trouxe para a 5ª Semana da LCS Europe Spring um novo Support. Será que isso poderá resolver todos os problemas?

Primeiramente, quais são os problemas da fnatic? A equipe tem mostrado várias deficiências neste começo de temporada, e a maioria parece ter a origem no shotcalling.

O primeiro problema seria o controle de visão. Um dos pontos mais fortes que a fnatic teve com o YellOwStar foi o controle de visão deles. Sempre mantendo a visão "optimal" para fazer o jogo "rotational" forte. O estilo ficou o mesmo, só que, com as mudanças na line-up, isso se diferencia de antes. Spirit é um carry Jungler, ou seja, gosta de ficar farmando na jungle. Ele vai fazer call para ganks e etc, mas provavelmente não vai fazer as calls para ir colocar visão nas áreas com necessidades. Ou seja, a necessidade de shotcalling nessa parte ficaria para o Support, no caso o Noxiak. Ele, mesmo com experiência de LCS, nunca se destacou na parte de shotcalling e líder.

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Noxiak não encaixou no fnatic e deixou time após a 5ª Semana da LCS (Foto: Riot Games)

Em entrevista para o The Score eSports sobre o assunto, Rekkles explicou que o Noxiak teve problema em se adaptar na parte de shotcalling de Support, que seria controlar o mapa e passar informações. Isso foi visível nos jogos da fnatic, nos quais a equipe teve controle de mapa muito forte e, em outros, teve controle bem fraco, levando certa inconsistência para o time, já que o AD Carry Rekkles tinha que assumir essas calls.

Esse problema automaticamente traria um próximo para o time, caos. Não só temos pessoas novas na equipe, mas temos jogadores com estilos de jogo completamente diferentes do que o ano passado. As diferenças são nas posições de Jungler e Support. Enquanto em 2015 a fnatic tinha um Support focado só em jogo no mapa e um Jungler com um estilo mais suporte, neste ano o Spirit é mais do tipo carregador e o Noxiak era um Support que focava mais na laning phase e skirmishes. Ou seja, nenhum desses dois faria as calls que o Reignover e o YellOwStar faziam, de quando ir wardar e quando rotacionar no mapa. Isso falta na fnatic, por isso o jogo fica caótico para eles. Isso dificulta para o time se achar como um time. Esse problema esteve bem presente nas rotações da fnatic no mid e late game durante vários jogos, nos quais mostraram muita dificuldade em encontrar um jeito para fechar as partidas.

Para consertar os problemas, o fnatic contratou Support Klajb. Ele é jovem e mostra um certo talento não só na parte de shotcalling como também individual. Ele teve pouca experiência de time, mas mostrou um certo dom para shotcalling. Ele pode ser o player certo para fnatic. Só que isso é algo que vem com tempo. Arrumar shotcalling é normalmente a maior dificuldade para times. É onde a equipe não só tem que se achar, mas também entrar em acordos no jeito de jogar. Já que na fnatic todos jogadores participam da comunicação, tudo vai depender do jeito que eles estruturam e definem quem vai cuidar de qual informação.

Essa mudança é bem complexa e vai demorar bastante tempo, além de depender de um bom trabalho técnico. Até o Klajb cuidar mais do shotcalling, o Rekkles provavelmente vai estar fazendo as calls. O grande problema de ter um AD Carry fazendo as calls é que ele terá que dividir o foco. Ou seja, não vai focar o tanto o necessário no posicionamento dele e no controle das waves, duas coisas que são muito importantes, não só para o sistema de shotcalling, mas também para o desempenho do jogador.

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O substituto é Klajb, que pode assumir o papel de liderança na LCS (Foto: Riot Games)

Outra vantagem que o Klajb pode trazer para a fnatic é a sinergia com o Rekkles. O Noxiak não estava funcionando muito bem neste fator. Os dois jogadores tinham dois estilos bem diferentes. Noxiak é um jogador bem agressivo em lane, enquanto o Rekkles é bem passivo. Ainda é muito cedo para falar algo da bot lane formada por Klajb e Rekkles.

O desempenho na 5ª Semana da LCS Europe mostrou um pouco do que a nova fnatic pode ser. Com uma performance um pouco melhor, promete melhoras para o futuro, mas só o tempo vai provar se a line da fnatic de 2016 pode chegar ao nível que a line-up que estava em 2015.

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* Alexandre "DrPuppet" Weber é analista e auxiliar técnico da equipe de League of Legends Last Kings, do Chile. Ele é nascido no Brasil, mas mora na Alemanha desde os 9 anos. Treinou o Kaos Latin Gamers (KLG) e levou a equipe à decisão do International Wildcard nesta temporada. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre League of Legends europeu e latino-americano nos dias 15 e 30 de todo mês.
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