Siga o MyCNB  
  • Menu
  • Colunas
  • Opinião: No CBLoL das punições, cenário mostrou sua imaturidade

Opinião: No CBLoL das punições, cenário mostrou sua imaturidade

O 1º Split do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) de 2016 ficará marcado na história como aquele em que as polêmicas ofuscaram as apresentações em Summoner's Rift. O torneio será lembrado não pelos jogos, e sim pelas punições, que escancaram o quão imaturo ainda é o cenário nacional.

Em tempos de memória curta, a decisão deste sábado, que coroou o INTZ, pode ser a última lembrança de muita gente, mas é difícil não recordar, sem muito esforço, de pelo menos uma das várias polêmicas deste início de temporada.

O ano competitivo de 2016 começou em dezembro, quando o MyCNB noticiou a transferência de Loop para o paiN Gaming, fora da janela de transferências. Na ocasião, os envolvidos negaram timidamente a informação. Contudo, a Riot Games Brasil puniu a bicampeã brasileira por aliciamento, anunciando as penalidades em comunicado raso e que deu abertura para contestações, inclusive possibilitando que os envolvidos partissem para o ataque, com negativas mais contundentes, e cobrassem publicamente a divulgação de provas.

No cenário internacional, a Riot não expõe as provas das infrações, mas sempre as explica passo a passo, o que a filial brasileira não fez no caso Loop. Não deixou claro como havia chegado à conclusão do aliciamento. Foi apenas o primeiro deslize da desenvolvedora, em um início de ano repleto de equívocos.

Quando a imprensa revelou que os donos do RED Canids (antigo INTZ.Red) eram filho e namorada dos proprietários do INTZ, a Riot Brasil precisou até pedir desculpas pela trapalhada de não ter conferido o quadro societário da nova organização, depois de ter dito que a situação do time era regular e mesmo com executivos das outras equipes do CBLoL comentando, nos bastidores, que RED e INTZ ainda tinham relação.

Na verdade, a Riot só se mexeu depois de cinco times ameaçarem não disputar o CBLoL, inflamados com a divulgação de prints que indicavam suposto acordo do dono do INTZ, Lucas Simon Almeida, com a Riot para que, indiretamente, o INTZ continuasse no comando do RED Canids, plano do qual, aliás, os jogadores do INTZ.Red tinham conhecimento e nada fizeram para impedir.

O regulamento proíbe "equipes-irmãs" disputando o mesmo campeonato, mas não é específico, o que permitiu que o INTZ tentasse burlá-lo. Na teoria, a organização estava dentro das regras. Mas, eticamente, a relação entre INTZ e RED Canids era conflituosa. A Riot Brasil não seguiu os termos da rígida normal internacional, sabe-se lá porque, justamente no ano em que as equipes estiveram mais propensas a cometer infrações.

A polêmica do RED Canids levou cinco equipes a tomarem uma decisão até então inédita, de não marcar treinos com o INTZ, como forma de represália às atitudes dos donos da equipe. Os jogadores sofreram por tabela. Mas a tática de enfraquecer o time se mostrou frágil. Tanto é que o INTZ chegou à decisão.

O INTZ também levou multa de R$ 5 mil por ter exibido, na camisa, durante uma partida, a logomarca da G2A, empresa banida pela Riot desde setembro do ano passado. É difícil acreditar que tudo aconteceu por descuido, já que apenas um cyber-atleta, Tockers, vestia a camisa. Mas, independentemente disso, os juízes deveriam ter mais atenção.

Outra brecha no regulamento possibilita que as organizações inscrevam, no CBLoL, cyber-atletas que não estão contratados para a reserva. Foi o que fizeram INTZ, com SNK e Veteran, e paiN Gaming, com H1iva.

Os dois times foram penalizados com perda de pontos, o que poderia ser evitado se as equipes tivessem tido comportamento honesto e/ou se a Riot exigisse os contratos assinados dos jogadores inscritos. A desenvolvedora afirma que os documentos são pedidos depois. Só que o depois pode implicar em punições que comprometem o espetáculo.

O CNB e-Sports Club também perdeu pontos, por conta da inscrição de Vash no lugar de YoDa durante o campeonato. O time jogou com o regulamento debaixo do braço e, se quisesse, poderia trocar toda a line-up. Isso porque, independentemente da pontuação, a equipe não seria, como lanterna, rebaixada automaticamente, como chegou a anunciar a Riot Games Brasil. O que a empresa não explicou, nem em comunicado, nem nas transmissões e nem em seus programas, é que o 8º colocado da Fase de Classificação não era, necessariamente, o 8º colocado do CBLoL. Estranho, não? Porque até o Split anterior, era. Um confronto entre os 7º e 8º lugares seria realizado para determinar qual seria rebaixado.

Na verdade, o rebaixado no 1º Split foi o cenário brasileiro, puxado por hipocrisias, tentativas de burlar o regulamento, decisões oficiais equivocadas e brechas nas regras. Com isso, mostramos toda a nossa imaturidade. 

* Gabriel Oliveira é editor-chefe do MyCNB


Veja também:


Tags: League of legends, cblol 2016, polemicas, opinião