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Coluna do DrPuppet #12: Entrevista com Tierwulf, da Big Gods

O chileno Sebastian "Tierwulf" Mateluna tem 20 anos e atua desde 2013 no cenário competitivo da América Latina Sul de League of Legends. Ele passou por equipes como Renegades of Hell, Kaos Latin Gamers (KLG) e Last Kings antes de entrar para a brasileira Big Gods.

O cyber-atleta atuou por um curto tempo em 2014 na KLG como Support, junto com o brasileiro Sagaz na época. Ele jogou ainda como Jungler.

Depois da passagem pela KLG, Tierwulf transferiu-se para a Last Kings, em dezembro de 2014, sendo um dos participantes da line-up original. Era uma line-up cheia de talentos e que, ainda por cima, revelou um dos treinadores com mais sucesso do cenário brasileiro, Alexander "Abaxial" Haibel, que atuava como técnico da equipe antes de ir treinar a INTZ. Depois da saida de Abaxial, o coach Daniel "Exorant"Hume assumiu.

Eu tive a oportunidade de falar com Tierwulf, o novo Jungler da Big Gods, antes de a equipe participar da Brasil Mega Arena (BRMA) do Rio de Janeiro. Falamos sobre ele ser o primeiro estrangeiro da América Latina a vir para o Brasil e as expectativas com a Big Gods no 2º Split do CBLoL 2016.

DrPuppet: Olá, Sebastian, como você está?
Tierwulf: Oi, Puppet, eu estou bem e você?

Eu estou bem também. Já que você chegou ao Brasil alguns dias atrás, como é estar no Brasil?
Realmente não é ruim não, eu estou aprendendo português aos poucos, estou fazendo bastantes coisas e a gaming house da Big Gods realmente é bem legal. Eu estou gostando muito de estar no Brasil até agora.

Antes de vir para a Big Gods, você atuou na Last Kings como Jungler. Como que era jogar na Last Kings e qual era a sua função dentro da equipe?
Eu era o capitão e o shotcaller da Last Kings e, obviamente, o Jungler. Eu acho que o roster que a gente tinha nessa line-up da Last Kings era muito forte e a gente poderia ter sido um time muito bom. Só que nós tínhamos uma ideia diferente de como jogar o jogo. Em vez de entrar em compromissos, ninguém queria fazer isso e, assim, não resolvíamos o problema.

Foi por causa disso que você saiu da equipe?
Nós achamos que era a melhor opção para todos eu sair da equipe e o time jogar com o nosso substituto na época, o Focho. E eu fui procurar outras oportunidades.

O que você fez nesse tempo durante o Split?
Eu conheci muita gente e fiz vários tryouts em equipes. Mas eu realmente estava só esperando o 1º Split do CBLoL acabar para vir jogar no Brasil. Eu estava querendo muito jogar com a Big Gods. Por sorte, eu tive a oportunidade e deu certo.

Você fez tryouts para outras equipes brasileiras?
Eu só queria vir para a Big Gods, então eu lutei para conseguir o meu tryout.

Você joga Solo queue no servidores LAS e Brasil. Nos dois, você chegou ao Challenger. Quais são as maiores diferenças nas solo queues das duas regiões?
O único motivo que eu ainda jogava no servidor do LAS era o ping baixo, que era muito melhor para treinar campeões como o meu favorito, Lee Sin. A SoloQ brasileira é muito melhor. Desde que os times do LAS se mudaram para gaming houses, todo mundo começou a jogar no Brasil. Com isso, o nível de SoloQ do LAS abaixou bastante. São praticamente duas regiões jogando no servidor brasileiro, já que todos os pro-players do LAS jogam no Brasil. Simplesmente não tem motivo positivo sem ser o fator do ping para jogar no LAS.

Falando dos jogadores de SoloQ e não dos profissionais, quais as diferenças principais entre os jogadores de SoloQ do LAS e do Brasil?
No Brasil há mais jogadores mono champs, ou seja, esses jogadores costumam jogar um campeão num nível muito mais alto e assim atuar melhor nas partidas. No LAS, os jogadores querem copiar o meta e jogam campeões que não sabem utilizar. Eles jogam o que os profissionais de outras regiões usam, mas não aprendem realmente a jogar os campeões. Com isso, o nível das partidas fica mais fraco.

Como é jogar em um time da América Latina e em uma equipe brasileira?
Eu acho que as duas coisas mais diferentes são a mentalidade dos jogadores e a estrutura dentro das organizações, que são melhores.

Como estão indo os treinos na Big Gods? Já que voce era o shotcaller da Last Kings, também está com esse cargo na Big Gods?
Ainda está bem estranho, já que ainda estamos nos achando em termos de comunicação. Um dos motivos pelo qual eu decidi vir para cá é que todos os jogadores falam bastante e são bem espertos sobre o jogo. Antes de eu ter entrado para a equipe, a Big Gods tinha dois shotcallers. Só que agora estamos trabalhando para todos os cinco jogadores da equipe participarem da comunicação e cada um ter a sua função própria no sistema de comunicação.

Como que vocês estão se comunicando atualmente dentro do jogo? Você está usando o famoso portunhol ou misturando português e inglês na comunicação?
Estamos usando praticamente só português. Só que quando é algo mais longo e mais complexo, eu comunico em inglês para todo mundo conseguir entender.

Então você já está conseguindo se comunicar o suficiente dentro do jogo em português?
Eu já estou conseguindo conversar um pouco em português. Eu estava aprendendo com o aplicativo Duolingo e com tudo que eu achava na internet para me ajudar no começo. E já que tem várias equipes de outros jogos na gaming house da Big Gods, eu consigo conversar bastante e treinar o meu português.

Você é o primeiro jogador da América Latina a vir para o Brasil. No começo do Split passado teve rumores de times brasileiros querendo contratar Juliostito e Oddie. Você acha que outros jogadores da América Latina virão ao Brasil. Se sim, quem você imagina ser o próximo?
Eu tive ate oportunidades de vir jogar no Brasil no 1º Split, mas eu decidi ficar com a Last Kings, porque tentamos montar a lineu-p de Nipphu, eu, Hydra, Whitelotus e Baiano. Só que acabou não dando certo. Eu imagino que isso será algo considerável no futuro, já que não é muito difícil para alguém que fala espanhol aprender português e alguém que fala português, espanhol. Além disso, tem posições que faltam aqui e faltam lá. Por exemplo, a América Latina precisa de Mid Laners, e o Brasil precisa de Jungler.

Quais são as suas expectativas e metas?
Eu acho que temos a capacidade de ganhar o Split. Obviamente é mais fácil falar do que fazer, mas eu acho que temos várias qualidades boas dentro da equipe que vários times do CBLoL não têm. A comunidade pode não concordar com isso, já que eu venho do LAS, mas eu estou bem confiante que temos uma boa chance indo para esse Split.

Tem algum jogador ou time do CBLOL que você está ansioso para enfrentar?
Em termos de Junglers, eu gostaria de jogar contra Revolta, sirT e Nappon. Eu acho que os três são ótimos Junglers, e eu aprendi bastante com eles. Eu acredito que consiga virar melhor do que eles com o tempo. Então, estou bem ansioso.

Antes de terminarmos a entrevista, gostaria de falar as últimas palavras?
Eu irei dar o melhor para melhorar o máximo possível. Gostaria de agradecer a equipe Big Gods pela oportunidade e obviamente todos os nossos patrocinadores.

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* Alexandre "DrPuppet" Weber é analista e auxiliar técnico da equipe de League of Legends Last Kings, do Chile. Ele é nascido no Brasil, mas mora na Alemanha desde os 9 anos. Treinou o Kaos Latin Gamers (KLG) e levou a equipe à decisão do International Wildcard nesta temporada. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre League of Legends europeu e latino-americano nos dias 15 e 30 de todo mês.
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