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Coluna do DrPuppet #13: importações no cenário latino dão alerta ao Brasil

Pela primeira vez na história do League of Legends brasileiro, uma equipe contratou um cyber-atleta latino-americano para atuar no CBLoL. O time que subiu do Circuito Desafiante, Big Gods, contratou o ex-Jungler do Last Kings, do Chile, Sebastian "Tierwulf" Mateluna.

Entretanto, para o próximo Split, não só equipes brasileiras importaram talentos. O Kaos Latin Gamers, do Chile, contratou os brasileiros Renato "TheFoxz" Souza (AD Carrt) e Arlindo "element" Leal (Solo Top) e o Lyon Gaming, do México, contratou o atirador argentino Matias "WhiteLotus" Musso.

Conforme os cenários vão crescendo, o nível de competição e investimento também aumentam naturalmente. Já em 2014, houve as primeiras importações de jogadores, com as chegadas de Park "Winged" Tae Jin (Jungler) e An "SuNo" Sun-ho (Mid Laner) ao Brasil.

É algo comum nos esportes tradicionais sempre querer ter os melhores talentos na equipe, e times estrangeiros costumam investir bastante dinheiro em contratações internacionais. No caso do futebol, muitos brasileiros.

Portanto, querer ter o melhor elenco possível para vencer campeonatos não é nada novo ao mundo esportivo, só que é algo ainda menos comum nos cenários emergentes, como Brasil e América Latina.

Se observarmos as contratações que tivemos no último Split, não foram muitas, mas houve algumas espalhadas em cada região. Teve americanos no México, coreanos na Turquia, na Oceania e no Japão e brasileiros no Chile.

No Chile, não é incomum ver estrangeiros nas comissões técnicas. Eu, por exemplo, já passei por equipes de lá, o ex-coach da Last Kings Daniel "Exorant" Hume é romeno e, no próximo Split, serão quatro brasileiros como técnicos de equipes chilenas.

Importar talentos tem muitos fatores positivos, mas, até hoje, isso sempre foi bem limitado por causa do dinheiro. Essa dificuldade financeira vem diminuindo conforme o tempo, com organizações estando dispostas a investir cada vez mais e patrocínios maiores fazendo parte do nosso cenário.

Com mais dinheiro envolvido, as equipes conseguem oferecer salários mais altos e, assim, atraem os melhores jogadores. E isso não está sendo diferente na América Latina.

O melhor exemplo brasileiro é o paiN Gaming, que está conseguindo, há anos, manter a dupla Gabriel "Kami" Santos e Thúlio "sirT" Carlos na equipe e que conseguiu trazer de volta Felipe "brTT" Gonçalves depois de uma curta passagem pelo Keyd Stars. Hoje, é especulado que o paiN está pagando salários muito maiores do que a concorrência nacional e, por isso, jogadores já renovaram várias vezes os contratos.

Na América Latina, a mudança de formato da Copa Latino-americana de League of Legends, de online para presencial, levou mais dinheiro para o cenário.

Não surpreendeu a informação de que o KLG estava querendo contratar coreanos antes de assinar com os dois brasileiros. Com o surgimento de mais patrocínios e o pagamento em dólar, também não surpreende os chilenos terem propostas interessantes para os brasileiros.

Isso tudo cria um mercado mais competitivo, em que as organizações precisam ficar atentas e espertas para sempre poderem oferecer algo a mais para os jogadores da equipe.

Os jogadores importados podem influenciar um cenário positivamente em vários casos. Vamos relembrar a vinda dos primeiros coreanos para o Brasil. A passagem de Winged e SuNo mudou o cenário brasileiro, forçando jogadores de Solo queue e times a elevarem seus níveis em um curto tempo, porque os dois estrangeiros estavam uns dois passos a frente de todos. O cenário inteiro cresceu.

Um outro efeito que pode acontecer é o "clash of metas", que podemos ver em eventos internacionais como o Mid-Season Invitational e que acontece em bootcamps. Jogadores importados estão acostumados a jogar no meta da região em que atuavam antes de se mudar. Isso pode trazer inovações de meta no novo cenário.

Além disso, os melhores jogadores sempre irão achar trabalho. E times que não conseguirem manter o elenco terão de encontrar novos talentos e, assim, é possível revelar promessas, o que é sempre importante para os cenários continuarem a crescer.

Com as importações na América Latina, os cenários irão crescer juntos. É bom ter evolução constante.

Porém, para as organizações brasileiras, isso também é um sinal de alerta, porque a América Latina está crescendo e poderá ter interesse em continuar importando talentos brasileiros. Depende das empresas brasileiras darem motivos para os cyber-altetas quererem ficar.

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* Alexandre "DrPuppet" Weber é analista e auxiliar técnico. Ele é nascido no Brasil, mas mora na Alemanha desde os 9 anos. Treinou o Kaos Latin Gamers (KLG) e levou a equipe à decisão do International Wildcard na temporada passada. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre League of Legends europeu e latino-americano nos dias 15 e 30 de todo mês.
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