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Coluna do DrPuppet #14: o Brasil é a região mais forte do Wildcard?

O Brasil sempre foi considerado a região mais forte entre os cenários do International Wildcard. Mas será que isso mudou? 

No ano passado, a paiN Gaming surpreendeu tendo a melhor campanha de um time de Wildcard no Campeonato Mundial na história do League of Legends.

Só que o desempenho da INTZ no último International Wildcard Invitational deixou muito a desejar. O time dominou a competição nacional, e casters, treinadores e analistas ao redor do mundo consideravam a INTZ uma das favoritas e ainda tinham boa ressonância das equipes que treinaram com a equipe brasileira durante o bootcamp na Europa. O time acabou sendo pego de surpresa pelo Hard Random, que venceu todos os encontros com o INTZ no México.

Apesar disso, a equipe que venceu o Wildcard, o SuperMassive, da Turquia, teve a melhor performance de um time Wildcard em uma competição internacional, no Mid-Season Invitational (MSI), na opinião de experts.

Enquanto nessas últimas duas semanas vários fãs brasileiros se perguntaram se o começo do CBLoL sendo no patch 6.8 poderia afetar o desempenho da região no cenário internacional, ainda fica no ar a pergunta se o Brasil está pronto para permanecer no topo dos cenários emergentes.

Para quem me segue no Twitter, não é novidade que eu costumo ser bastante crítico do desempenho de times nas partidas, mas também em relação a adaptações e atualizações.

Em termos de as equipes brasileiras serem as únicas no mundo competitivo de League of Legends a terem jogado a primeira semana de competições no patch 6.8, eu acho que isso só enfraqueceu as equipes um pouco no começo do campeonato. A 1ª Rodada beneficiou as equipes mais inexperientes, que vão ter problemas para se adaptarem ao novo patch.

Algo interessante é que, no cenário brasileiro, os times não têm medo de escolher pick fora do meta. Enquanto nos cenários latino, turco e da Oceânia não se costuma inovar tanto, o Brasil não tem medo de pegar algo novo e testar.

Por exemplo, na 2ª Rodada do CBLoL, tivemos a escolha de Darius da CNB e o primeiro pick de Taliyah no cenário competitivo, por parte do Goku, da Operation Kino.

O Brasil é uma das poucas regiões que realmente tenta fazer picks dos famosos mono champions da Solo queue para o competitivo. Outros exemplos foram o Zed top do Ayel e a Lulu jungle do Minerva. Ou seja, criatividade e exploração dos patches não são pontos fracos da região.

Curiosamente, a única região que costuma fazer coisas similares é a própria Rússia, do Hard Random, que, mesmo não sendo as melhores opções, costumava escolher Darius para o top, Poppy para a jungle e Vladimir para o mid. Isso já é algo positivo.

Em geral, as regiões latinas estão um pouco atrás na adaptação ao meta. Poucos se mostraram confortáveis no novo meta, lembrando que ainda não há um meta 100% definido. Entretanto, temos ideias do que realmente está se destacando nos picks e bans.

Um ponto no qual várias equipes brasileiras estão deixando a desejar um pouco, por exemplo, são os bans de blue side no Ryze. Você pode priorizá-lo como first pick. Isso pode ter dois motivos: times não entenderem prioridade do pick ou jogadores não terem se adaptado em tempo.

Obviamente temos que levar em consideração que a primeira semana ainda foi jogada no patch 6.8 e as equipes só tiveram, teoricamente, uma semana para se adaptarem. Isso pode ter afetado, mas o Brasil foi a única região que teve tempo de estudar jogos de outras regiões em retorno.

Isso tem sido uma fraqueza de vários times durante o Split regular do CBLoL, sendo que o exemplo mais visível é a INTZ, que, historicamente, sempre teve algumas dificuldades para se adaptar a mudanças de meta. Mas, depois, voltava mais forte do que nunca.

Outro fator é que times brasileiros ainda têm problemas com jogadores de champion pool limitada, ou times que dependem de certos playstyles e, assim, de certos metas. Por sorte, tirando a Turquia, as outras regiões também sofrem muito com isso, porque a player base ainda é relativamente nova.

As únicas regiões que teriam uma vantagem em treino e facilidade de contar com jogadores importados seriam Turquia e Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que não só conseguem jogar no principal servidor europeu, o do Oeste, como podem contratar cyber-atletas que atuaram em equipes europeias.

Por outro lado, não são muitas as equipes que conseguem treinar com os times tier 2 e tier 1 da Europa. Contudo, pelo menos, tem bastantes talentos no servidor europeu West que acharam casa na Turquia ou no CEI. Isso aumenta o pool de talentos, que atualmente ainda é um problema na América Latina inteira.

Eu não vejo o Brasil como a melhor região do Wildcard atualmente. Outros cenários começaram a crescer, a melhorar e a ter o mesmo investimento que tínhamos como vantagem no passado.

O talento está aqui. O que falta é os times elevarem o nível. Por enquanto, tivemos duas equipes - paiN e INTZ - que conseguiram manter um nível mais alto por um tempo prolongado nos últimos dois anos, enquanto as outras equipes passaram por altos e baixos.

Essas duas equipes têm, com certeza, o nível desejado para se darem bem diante de outras regiões. Só que são duas em oito. Hoje, para o Brasil voltar ao topo e aparecer bem internacionalmente de novo, vai depender de os outros times também melhorarem.

De acordo com as duas primeiras rodadas do CBLoL, ainda tem muita coisa em aberto.

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* Alexandre "DrPuppet" Weber é analista e auxiliar técnico. Ele é nascido no Brasil, mas mora na Alemanha desde os 9 anos. Treinou o Kaos Latin Gamers (KLG) e levou a equipe à decisão do International Wildcard na temporada passada. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre League of Legends europeu e latino-americano nos dias 15 e 30 de todo mês.
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