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Coluna do Rafael Pereira #14: a imagem dos profissionais de e-sports

Que a vida de um profissional na área de e-sports é bem vigiada, todos sabemos, principalmente se é daqueles que aparecem nas câmeras, como jogadores e treinadores. Por isso, temos ciência de que trabalhar a imagem é importante para essas pessoas. Elas se tornam referências e conquistam o poder de ter seus discursos alcançando muitas pessoas. Mas, até quando a imagem é importante? Quando ela começa a ultrapassar o nível de "saudável" para atrapalhar o trabalho mais básico, que é jogar/treinar?

Nesta área, a vida é muito corrida, independente de qual profissão você exerça nela. Sempre vai haver correria, principalmente na linha de frente. Jogadores têm rotina puxada, com muitas horas de treino em grupo, além do treino individual e das inúmeras atividades que vão lhe proporcionar melhora no desempenho. Isso também acontece com os treinadores. São horas de acompanhamento em grupo e individual, preparação de material, estudo de outros times, estudo das atualizações dos jogos e estudo de outros cenários para pensar novas estratégias. Então, quando sobra tempo para lidar com a imagem?

Trabalhar a própria imagem é importante. Além de melhorar a auto-estima e dar visibilidade ao trabalho da pessoa, é uma forma de passar uma mensagem de que, mesmo com rotinas puxadas, o profissional se importa com aqueles que demonstram carinho por ela.

Porém, existe um limite muito tênue, de quando você está compartilhando com os outros e quando você está expondo demais sua vida pessoal. Quando somos pessoas "comuns", às vezes usamos nossas redes para passar o que estamos sentindo e o que estamos fazendo, pois as pessoas conectadas nessas redes são próximas a nós, nos conhecem e saberiam o que cada exposição quer dizer.

Entretanto, quando somos pessoas "famosas", ao compartilharmos isso na rede, estamos expondo não só nosso lado mais humano, mas abrindo feridas que podem ser não compreendidas pelos outros. Nos abrimos para inclusive sofrer ataques, que podem muito mais nos atrapalhar no desempenho do que nos motivar para melhorar.

Outra questão é o limite de tempo que as pessoas têm para trabalhar sua imagem. Quando isso começa a tomar mais tempo do que deveria do seu trabalho em si, do seu momento de estudar o jogo, de treinar com seus colegas e discutir uma estratégia, e o que preocupa é como vai aparecer na câmera, tem algo errado.

Interagir com fãs é bom, trabalhar a auto-imagem é bom, ser reconhecido é muito bom, porém sou da opinião que isso deve sempre vir em conjunto com seu trabalho. Ninguém fala melhor de você do que seu próprio resultado. Ele, em conjunto com outras ações, aí sim, pode ser extremamente benéfico para o crescimento profissional.

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* Rafael Pereira é graduando de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador de projeto de intervenções e pesquisa voltados para os esportes eletrônicos. É consultor em psicologia da equipe de League of Legends do CNB e-Sports Club. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre psicologia nos dias 5 e 20 de todo mês.
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