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Coluna do Rafael Pereira #15: o poder de maconha e cocaína sobre os jogadores

Como o assunto de hoje é um pouco mais polêmico, eu preferi separá-lo em três partes. Uma trazendo o que conhecemos sobre drogas mais "comuns", porém ainda ilícitas, e como elas afetam o desempenho de um jogador; na segunda parte, as drogas comerciais que acabam sendo usadas para dopping; e na terceira, discutir um pouco sobre o dopping genético e trazer alternativas possíveis que não prejudicam o corpo, são naturais e produzem benefícios tão altos como aqueles que buscam os usuários de dopping.

Para começar a falar de drogas, é necessário desmistificar um pouco a imagem social que se tem sobre elas, e como essa é uma coluna onde posso trazer minha visão pessoal sobre esse assunto, vou fazê-lo também.

Primeiro que, hoje, pessoas que usam drogas não são necessariamente consideradas criminosas. Existe uma quantidade mínima que faz com que a pessoa que porte drogas seja considerada usuária, e o usuário pode ser enquadrado como alguém doente, no sentido que é dependente de uma droga, que produz prejuízos em sua vida.

Toda droga produz diferença no funcionamento cerebral do indivíduo. Toda, sem exceção. A diferença é que algumas afetam de forma mais rápida ou que destroem mais, outras têm efeito mínimo ou são mais lentas. Bom, se pensarmos só por aí, então qualquer alimento que a gente consuma também tem esse mesmo efeito, seja considerado droga ou não.

É verdade, a diferença é como ele funciona e qual o objetivo de cada coisa consumida. Mas, para ser mais claro, vamos falando de algumas drogas e especificando o que elas representam.

Uma das drogas mais consumidas por jovens de todas classes sociais é a maconha. Por ser muito acessível, de baixíssimo efeito viciante, e vista por muitos como "algo natural", a maconha acaba entrando em vários espaços, independente de tipo de vida, poder aquisitivo e nível de estudo.

Pessoalmente, embora eu seja a favor da descriminalização das drogas, tenho receios com o uso da maconha. Por mais que ela seja uma das que menos produz efeitos colaterais, isso não impede que traga algum prejuízo.

Diferente do que muitos pensam, a maconha não é uma droga relaxante, e sim uma do tipo psicoativa. Ela provoca aluciunações e modifica temporariamente a química cerebral, podendo dar a sensação de relaxamento ou de desespero para alguns, as tais relatadas "bad trips".

E o que isso quer dizer? Pessoas que possam ter tendências a surtos psicológicos podem ter o uso da maconha como gatilho para desencadear esses surtos. A probabilidade disso acontecer, ou de nunca acontecer nada com quem usa, ainda é um mistério, porém é um risco que se corre ao utilizar esse tipo de substância.

Certo, mas por que eu estou falando isso sobre a maconha? Se ela é uma das drogas mais consumidas por todos os grupos, então nada impede que pessoas que façam, fizeram ou farão parte do cenário competitivo de e-sports possam ter usado ou usem em algum momento.

Pensando na alta competitividade, a pergunta é: isso altera o desempenho de um jogador? Sim, altera. Como já comentado em artigos anteriores, um fator que diferencia muito os jogadores de alto nível é a disciplina que eles têm sobre si mesmos, seus corpos e suas mentes.

Substâncias psicoativas impedem que, durante algum tempo, você tenha esse controle sobre si mesmo e, ao invés de aprender a lidar com situações e controlá-las, o usuário-jogador dependerá dessa substância para conseguir alcançar certos níveis de relaxamento, por exemplo não sendo capaz de ter capacidade de desenvolver por si mesmo essa disciplina, esse controle pessoal.

Ao fazer isso, a pessoa deliberadamente escolhe se prejudicar. Tirando o fator de que, essas drogas ainda são ilícitas, ou seja, proibidas.

Uma pessoa que usa então é "culpada", é a "ruim"? Não necessariamente. Muitas vezes falta informação, acompanhamento ou até incentivo em abrir mão do uso dessa droga. Por isso, é importante um trabalho completo de uma equipe técnica, principalmente o treinador, por ser mais próximo aos jogadores, e o psicólogo, por ser quem pode ajudar profundamente a buscar uma melhora individual do jogador nesse sentido.

Outra droga que pode acabar sendo consumida por jogadores é a cocaína. Se não me engano, houve episódios na Europa de jogadores usuários de cocaína. Essa droga é considerada mais "tensa". Freud, pai da Psicanálise, um dia chamou a cocaína como o remédio para os males da alma, pelo fato de ela deixar a pessoa extremamente ativa, ligada, pilhada.

Ele sentia que poderia conquistar o mundo daquele jeito, isso antes de perceber o mal que a droga estava gerando. Ao mesmo tempo que a cocaína provoca muitos prejuízos mentais, destruindo ligações nervosas, também destrói o corpo físico, principalmente pelo modo de utilização.

Essa droga foi consumida entre jogadores porque deixa o usuário ligado a ponto de jogar por dias a fio, sem sentir o cansaço mental. Porém, a cocaína, além de um poder destrutivo maior, tem um fator viciante muito alto, deixando a pessoa totalmente dependente e escrava da droga.

Outros tipos de drogas são menos comuns e normalmente produzem um prejuízo tão instantâneo que logo tiraria um usuário do cenário competitivo de qualquer esporte ou e-sport.

Espero que essa nossa "conversa", tenha esclarecido um pouco mais sobre isso, e na próxima coluna falaremos sobre as drogas "comerciais", que muitos utilizam como dopping nos esportes eletrônicos.

Abraços!

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* Rafael Pereira é graduando de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador de projeto de intervenções e pesquisa voltados para os esportes eletrônicos. É consultor em psicologia da equipe de League of Legends do CNB e-Sports Club. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre psicologia nos dias 5 e 20 de todo mês.
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