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Coluna do Rafael Pereira #17: como potencializar seu desempenho no jogo

No texto anterior, além do mal de algumas drogas comerciais, escrevi sobre medicamentos que buscam melhorar a capacidade de atenção e concentração dos jogadores, ou seja, de certa maneira ilícita, ministrar substâncias químicas em busca de dar um melhor desempenho para os jogadores. O que podemos chamar também de doping.

Porém, existe outro tipo de doping aparecendo no mundo do esporte, e que nada impede que possa vir a ser utilizado no e-sport: o doping genético. De acordo com a World Anti-Doping Agency (WADA), em 2004, foi definido que doping genético é o uso não terapêutico de células, genes e elementos gênicos, ou a modulação da expressão gênica, que tenham a capacidade de aumentar o desempenho esportivo.

Tá! Calma! Quer dizer que já podemos mudar nosso DNA?

Na real, existem experimentos iniciais que já mostram como nossos genes funcionam e reagem. Teoricamente, essa pesquisa só estaria ainda na fase inicial de desenvolvimento, o que significa que o foco dela seria tratar deficiências atuais ou casos de doenças graves e raras. Porém, como em quase todo meio, existe aqueles que não seguem exatamente um código de ética. Visto isso, o processo para esse tipo de acompanhamento ainda é experimental, ou seja, pode ainda trazer muitos prejuízos para o atleta saudável que tenta usá-lo a fim de ultrapassar seus próprios níveis. Mas se é tão perigoso, por que usaria? Primeiro, porque do mesmo jeito que alguns atletas usam doping para tentar, de forma ilegal, ultrapassar os níveis dos seus companheiros, eles também usariam essa forma, mas principalmente, porque ainda é indetectável.

Para ter um exemplo do funcionamento da terapia gênica, você pode pensar num atleta que precisa estar sempre no seu limite, e, por isso, acaba sentindo dor física tanto quanto os outros atletas, porém, se manipulados os genes de endorfina e encefalina desse jogador, ele teria muito mais resistência à dor e, consequentemente, se incomodaria menos e manteria mais atenção e melhoraria seu desempenho. E como poderia alguém dizer que isso é algum medicamento/doping, quando é o próprio corpo dele que aprendeu a responder de forma diferente através de uma terapia gênica, ou seja, modificando a forma com que os genes dele trabalham?

Agora, além disso, tem uma outra parte, que pode parecer meio futurística, mas está mais perto do que muitos pensam. Todos sabemos como atletas de ponta fazem dinheiro. É um negócio lucrativo, seja em esporte físico ou eletrônico. Os melhores do mundo se destacam e, com isso, ganham fortunas.

Criar um atleta de ponta é algo lucrativo para qualquer pessoa/empresa e, por isso, existem os primeiros indícios de manipulação genética, não em forma de terapia gênica, mas sim em forma de desenvolvimento de embrião. Embora existam muitas regras éticas em torno disso, hoje já é possível que, quando uma pessoa queira fazer uma fertilização num laboratório para ter um filho, possa, em alguns lugares, definir como vai ser fisicamente a criança.

Isso porque já aprendemos a mapear boa parte do nosso mapa de genes, e nada impede que, da mesma forma que alguns escolhem que a pessoa tenha olhos azuis ou verdes, por exemplo, também escolha que ela tenha genes que facilitem o desenvolvimento esportivo, que deixem a criança/sujeito em um patamar além dos outros. Obviamente isso é muito recente, mas ainda muito obscuro, pois nem todos os lugares tem regras claras sobre as concepções em manipulação genética, porém, sabemos que, independente disso, nada impede que seja feito.

Mas agora voltando mais ao que nos afeta no nosso dia a dia, numa realidade menos fantástica. O que e como podemos fazer com que nosso corpo melhore e tenha efeitos próximos, ou até melhores do que os dopings, mas de forma legal, saudável e segura?

Primeira coisa: alimentação. Todos os elementos que precisamos estão na alimentação. Nosso corpo foi criado para que pudesse reagir de forma positiva com vários elementos que comemos, isso porque a comida se transforma no nosso corpo e, de acordo com o que ingerimos, sai o resultado.

Se colocamos alimentos que nos dão as vitaminas e os minerais necessários para melhorarem nosso desempenho, então estamos ajudando o corpo a melhorar, mas, se colocamos só algo gorduroso e sem nada saudável, estamos dizendo para o corpo só acumular gordura e gastar energia, nos deixando mais fracos. Porém, nem sempre conseguimos comer TUDO que precisamos, tanto por falta de disponibilidade quanto por falta de tempo de preparar da melhor forma todos os ingredientes.

Então, podemos usar suplementos naturais, que ajudam nosso corpo a responder melhor ao que fazemos, ao que buscamos. Exemplos para jogadores de esportes eletrônicos: DHA, Omega-3, EPA, L-Tianina (elemento do chá verde), Cafeína (bem limitado, pois em doses muito altas também fazem mal), Cálcio, Complexo B12, entre outros.

Segunda coisa: atividade física. Já falei sobre isso em artigos anteriores, mas, pense, você ingeriu vários elementos positivos para o seu corpo, agora precisa colocá-lo no seu corpo todo. Fazer atividades aeróbicas ajudam que seu fluxo sanguíneo leve os elementos que seu corpo precisa para todas as partes, além de que deixa seu tônus muscular mais forte, dando força para respiração e o coração, deixando você mais resistente para os treinos, para o tempo que precisa ficar sentado e focado no jogo. Mas, além disso, com um corpo bem alimentado, a atividade ajuda a liberar hormônio de crescimento neural, que, bem resumidamente, ajuda você a ficar mais inteligente e, por isso, melhor no jogo.

Terceira coisa: meditação. Meditar não precisa ser necessariamente ficar sentado debaixo de uma cachoeira, pensando no nada e viajando entre mundos mentalmente, que nem o mestre do Shiryu no Cavaleiros do Zodíaco. Na verdade, meditar significa você conseguir trazer sua mente para o aqui e o agora e, com isso, ter mais controle sobre seus desejos e suas preocupações. Ajuda a manter um nível de tranquilidade e a ter mais controle sobre sua ativação, pois gera uma maior consciência sobre si mesmo e seu corpo. Existem inúmeras formas de meditar, tanto aquelas em que você fica parado/sentado, quanto as que você faz em movimento. Acredito que você deve buscar a que mais se encaixa para você.

Quarta coisa: descanso. Dormir É IMPORTANTE. Seu corpo e sua mente precisam se recuperar de um bom treino, e isso acontece dormindo. Um jovem/adolescente precisa, em média, de 7 a 9 horas diárias de sono, embora cada pessoa seja diferente, e por isso o melhor é adaptar para descanso dela. Seis horas ou menos vai ser prejudicial para o corpo, e dormir muito também faz com que você perca seu tempo que poderia estar desperto, desenvolvendo suas habilidades.

Quinta coisa: treinar. Meio óbvio, mas não tanto. Treinar não significa só jogar, significa saber o que está jogando. Se você só jogar repetidamente sem critério nenhum, só estará também reforçando os mesmos erros. Portanto, é importante rever seus próprios jogos, avaliar onde está errando e tentar acertar na próxima. É também importante que se treine bastante, não basta jogar duas vezes no dia e achar que, pronto, é um pro-player. Quanto mais treino, sem atrapalhar as questões anteriores, melhor.

Sexta coisa: relaxar e convívio social. Sua vida precisa ter outros sentidos além de treinar/jogar. Ter um momento na semana para sair com os amigos, fazer alguma atividade fora de casa, seja um esporte ou mesmo uma saída em um restaurante/cinema são importantes para manter sua mente saudável e tranquila. Além de reforçar seus laços e mostrar que não importa o quanto você se dedique, você sabe medir a importância dos seus objetivos e das pessoas ao seu redor.

Acredito que hoje é isso. Tentei trazer uma parte de como você pode melhorar, além de algumas informações novas. Todos esses pontos são melhores feitos se você tem algum especialista te acompanhando, de nutrição, fisioterapia/educação física e psicologia. Mas, o importante para começar é acreditar em si mesmo, e a cada dia colocar sua meta de conseguir fazer o que precisa para melhorar.

É isso! Abraços, pessoal.

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* Rafael Pereira é graduando de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador de projeto de intervenções e pesquisa voltados para os esportes eletrônicos. É consultor em psicologia da equipe de League of Legends do CNB e-Sports Club. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre psicologia nos dias 5 e 20 de todo mês.
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