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Coluna do DrPuppet #19: A reviravolta da KLG na América do Sul

Depois de um começo de ano difícil, não conseguindo manter a dominância no cenário latino-americano de League of Legends e quase caindo para a 2ª divisão, uma das maiores equipes latinas se recuperou.

No 1º Split deste ano, a equipe esteve em crise. Com vários problemas de line-up, players desmotivados e comissão técnica não conseguindo resolver os problemas, o time teve que lutar pela permanência na 1ª divisão do campeonato da América Latina Sul. A Kaos Latin Gamers que jogou o 1º Split não era a KLG do Wildcard do ano passado, que se emocionava, ganhava teamfight e lutava pelo jogo. A line-up não funcionou, forçou a equipe a fazer mudanças provisórias, simplesmente por não conseguirem atuar no nível necessário para a competição. De todo jeito, conseguiram vencer da Bencheados na Promotion Series e se mantiveram na elite.

Na off season, a Kaos Latin Gamers fez várias mudanças, grandes, de risco e muito criticadas pelos profissionais na área. A KLG importou os jogadores brasileiros TheFoxz e element, que já atuaram profissionalmente no Brasil, só que não eram considerados grandes talentos ou os melhores. As reações foram bem incrédulas sobre essas mudanças. Além disso, o time contratou um menino novo, um talento de soloQ, chamado Plugo. Nenhuma das contratações da equipe era de jogador experiente; eram mais riscos do que segurança para a equipe.

Só que, na semana passada, a equipe chilena conseguiu conquistar o taça da Copa Clausura, em um reverse sweep, depois de ter perdido os dois primeiros jogos da série md5 para a Isurus Gaming. Essa partida foi o reflexo de um Split duro, com muito trabalho.

O time, liderado por uma coaching staff brasileira, não teve um início de Split bom. Como esperado, a equipe começou devagar, principalmente porque os jogadores tiveram de se ajustarem a se comunicar em um novo idioma. A evolução da equipe foi algo constante, um trabalho que começou a mostrar fruto no meio do Split.

O time se achou em termos de rotações, teamfights e, principalmente, o novato na mid lane começou a se encaixar melhor no time. Com a ajuda de preparação de estratégias e drafts criativos, a equipe chilena conseguia decidir um jogo ou outro.

Em passos pequenos, a equipe foi se achando e conseguindo chegar mais perto e mais preparada para os playoffs, onde conseguiu surpreender as expectativas e ganhou da Furios Gaming.

A KLG não chegou à final como favorita, ao contrário do ano passado. Desta vez, era underdog. Foi benéfico a alguns jogadores. No ano passado, o Jungler Juliostito e o Support Bear atuavam melhor não tendo pressão nas costas deles.

O time, liderado pelo o caçador Juliostito, conseguiu elevar o nível bem no momento necessário, depois de ter perdido o segundo jogo por um erro no late game. O analista da equipe, RafaP, citou no programa "Friday Night Tretas": "Depois da nossa derrota no Jogo 2, o element só entrou na cabine e falou confiante: 'é gente, agora vamos ter que ganhar três jogos'. E a equipe resetou e melhoramos a cada jogo".

Depois daquele jogo, a KLG era outra. Os problemas, os erros e todas as incertezas ficaram na cabine, e a KLG elevou o nível. O top laner element, que já estava tendo uma performance melhor do que o top laner da Isurus Gaming, conseguiu impactar mais no jogo por split push e siege, enquanto Juliostito decidia lutas e roubava objetivos para a equipe manter o sonho vivo. A equipe toda melhorava a performance a cada jogo.

O time teve uma boa evolução, uma evolução considerável, não só deu um "outclass" individualmente em todas as posições na final, mas conseguiu consertar os erros a tempo. Esta final latina teve muitas histórias: a KLG retomando a dominância regional e, pela primeira vez na história da equipe, teve uma virada. Mais importante: pela primeira vez, jogadores brasileiros ganharam a Copa!

O interessante vai ser ver o quanto essa equipe, ainda relativamente inexperiente, consegue evoluir até o Wildcard para enfrentar as outras regiões.

Os jogadores conseguiram mostrar uma evolução grande durante os últimos dois meses, só que a pergunta que fica é: será que isso será suficiente para conseguir passar da Fase de Grupos no Wildcard, no Brasil? Apesar de a equipe ter tido uma evolução positiva, a região em si da América Latina Sul ainda está abaixo do nível do Brasil, Rússia ou Turquia. Só que, se uma equipe pode surpreender, pode ser a KLG, assim como fez na final do Chile.

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* Alexandre "DrPuppet" Weber é analista e auxiliar técnico. Ele é nascido no Brasil, mas mora na Alemanha desde os 9 anos. Treinou o Kaos Latin Gamers (KLG) e levou a equipe à decisão do International Wildcard na temporada passada. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre League of Legends europeu e latino-americano nos dias 15 e 30 de todo mês.
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