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Coluna do Rafael Pereira #19: e-sports vivem febre midiática

A "febre" do e-sport está cada vez maior. Podemos perceber que várias modalidades de esportes eletrônicos têm conquistado visibilidade, em notícias, como jornais ou programas jornalísticos, e com grandes campeonatos sendo trasmitidos pela televisão em canais de esportes.

Chamei de febre esse movimento não por achar que o gosto pelo e-sport é algo temporário, mas por ver que essa taxa de crescimento vertiginosa tende a diminuir com o tempo, até encontrar um ponto onde ficará estabilizada.

Se pensarmos bem, isso está muito relacionado também ao nosso esporte tradicional. Várias modalidades já têm seu público definido, com mudanças consideravelmente pequenas dentro dele. Mudanças essas que ocorrem principalmente perto de eventos específicos. Podemos ter de exemplo as Olimpíadas.

Quantos esportes "novos" ou pelo menos que nunca foram visto pelo grande público antes apareceram agora? Essas modalidades não surgiram do nada. Elas estão aí faz anos, porém agora receberam mais mídia e, temporariamente, mais seguidores. Claro que alguns dos que passaram a conhecer essas modalidades diferentes poderão acompanhar mais de perto, por mais tempo, mas acredito que o número será pequeno e, que ao fim das Olimpíadas, voltará a ser mais o público cativo mesmo.

Os e-sports não estão muito longe. Eles, diferentemente desses outros esportes, são mais atrativos, pois dão a sensação de maior proximidade do público. É muito comum que quem gosta de acompanhar os campeonatos gosta de jogar e, diferente do esporte tradicional, ser um jogador profissional de e-sport não parece tão distante, tão impossível, embora seja, sim, muito difícil. Por isso, o crescimento, a visibilidade e o ponto de manutenção da mídia no e-sport ainda vão demorar um pouco mais para serem alcançados, mas eventualmente serão.

Percebo que nosso trabalho se dá com grande importância nesse exato momento, nessa ascensão toda que o esporte eletrônico vem tendo, em justamente pegar todo essa visibilidade e dar seriedade a ela. Não no sentido de que não é para se divertir, mas no pensamento que devemos dar corpo, força e sustento, para assim estabelecer o esporte eletrônico como algo real, firme e duradouro. Dar corpo para o e-sport significa também fazer ciência dele, comprovar que é um fenômeno que vai ficar, que tem motivo para continuar e que não é só uma febre.

O que eu gostaria de pedir, inclusive, para os leitores é isso: que divirtam-se no jogo, quando ele é só um jogo e quando você o usa de hobby. Mas quando você é um espectador, um torcedor, e também um profissional da área, trate o e-sport com profissionalismo, com seriedade. Tente trazer seu conhecimento para a área. Só com esse reconhecimento que podemos dar garantia de que o e-sport estará para nossas futuras gerações.

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* Rafael Pereira é graduando de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador de projeto de intervenções e pesquisa voltados para os esportes eletrônicos. É consultor em psicologia da equipe de League of Legends do CNB e-Sports Club. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre psicologia nos dias 5 e 20 de todo mês.
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