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Coluna do Rafael Pereira #20: Os fatores que não motivam, e sim desmotivam

Hoje escrevo sobre questões de motivação, mais especificamente sobre uma teoria chamada "teoria dos dois fatores" ou "teoria da motivação-higiene", desenvolvida por Frederick Herzberg.

Ele fez uma pesquisa que era voltada principalmente a procurar fatores que ajudavam na motivação de funcionários e queria entender o que deixava as pessoas insatisfeitas ou o que as motivava a irem trabalhar e se dedicarem mais. Segundo Herzberg, o nível de rendimento pode ser diferente dependendo do nível de satisfação no trabalho.

Antes de falar da teoria em si, é importante salientar que estou trazendo este tema por acreditar que o mesmo efeito acontece dentro dos esportes eletrônicos, principalmente com jogadores e treinadores.

A dedicação necessária para se desenvolver bem dentro do cenário depende muito da motivação e dos fatores que levam o jogador/treinador a querer melhorar e alcançar novos patamares. Além disso, essas pessoas estão, de fato, em um trabalho. Mesmo que o ambiente e a forma de atuação sejam diferentes, ainda são exigidos deles uma postura profissional e um pensamento de crescimento e constante melhora.

Voltando à teoria, o autor em sua pesquisa encontrou dois fatores importantes. Um deles é o fator motivador, que, como o nome diz, refere-se à motivação da pessoa em executar aquela tarefa, em continuar se aprimorando, etc. Dentro desse fator nós temos, por exemplo, o reconhecimento, a autorrealização, alcançar objetivos e receber suas recompensas, dentre muitos outros. Eu acredito que, numa próxima coluna, eu possa falar mais especificamente de como funciona a motivação e vários fatores que ajudam a mantê-la em alta.

O outro fator encontrado pelo pesquisador, e que acredito ser tão importante quanto, foi chamado de fator higiene. A presença desse fator não motiva mais o jogador/treinador/funcionário, mas a ausência dele gera desmotivação. Estou falando das questões de condições físicas do ambiente de trabalho, das políticas da organização, do salário, de um padrão claro de organização, entre outros. Embora esses fatores não aumentem a produtividade, a falta deles a diminui.

Se avaliarmos, para um bom desenvolvimento, a motivação deve vir dos dois lados, tanto da organização quanto do jogador. Enquanto o jogador/treinador deve procurar as ações que ajudam no seu desenvolvimento, buscar novos desafios e formas de manter sua motivação, a organização deve dar segurança para o mesmo. Um ambiente mal organizado, que atrasa salários ou até quando não consegue sentir um respaldo de ações dos responsáveis, desanima a continuidade de um bom trabalho.

Quando vemos organizações se agrupando, buscando ter mais força para conseguir melhor investimentos, devemos também exigir os direitos de treinadores, jogadores e equipes técnicas para que sejam reconhecidos e valorizados. Pois somente quando esses, que são os autores de belas jogadas e nos fazem vibrar, forem reconhecidos e tiverem seus direitos atendidos que poderemos ter um crescimento mais seguro e sadio do cenário.

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* Rafael Pereira é graduando de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e criador de projeto de intervenções e pesquisa voltados para os esportes eletrônicos. Foi consultor em psicologia e manager da equipe de League of Legends do CNB e-Sports Club. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre psicologia nos dias 5 e 20 de todo mês.
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