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Coluna do Jukaah #4: as vantagens e desvantagens dos coreanos no Brasil

Tudo certo, meus queridos? Hoje vamos entrar em um tema muito importante, sobre o qual poucas pessoas conseguem entender tudo que se passa. Escrevo sobre os coreanos importados para o nosso cenário, tudo que melhorou e algumas desvantagens.

Começo com a vantagem, que não é difícil de ver. Tivemos no Brasil, até agora, dez coreanos atuando como jogadores:

Keyd: Winged e SuNo / DayDream e Emperor
paiN: Olleh e Lactea
58ers: Shadow e Reset
Big Gods: Nicker e Nexus

Para mim, apenas alguns desses jogadores fizeram diferença no cenário. A primeira leva de coreanos mostrou para a nossa região que tínhamos muito mais para aprender do que esperávamos.

Destaco principalmente o Winged, que revolucionou a jungle no Brasil, mostrando que, se algum jogador quiser evoluir, vai ter que, além de ser bom mecanicamente, estudar muito "jungle path" (toda a rota feita pelo jungler antes de uma volta à base ou gank).

Destaco também o Olleh, que mostrou um meta de suporte mais avançado para a época, deixando o atirador livre, enquanto andava com o jungler pelo mapa, buscando visão e gankando outras rotas.

Quase todos os coreanos, com exceção dos jogadores da 58ers e da Big Gods, tiveram impacto no cenário brasileiro. Pode ser pela mecânica ou por fazer rodar uma estratégia a qual não estávamos acostumados.

Mas um grande fator que quase ninguém consegue ver é o buraco negro gerado pela saída desses jogadores Até hoje, tivemos apenas coreanos com prazo de validade, que ficaram por um Split ou quase por um ano.

Vamos pegar a estrutura de um time: você tem cinco jogadores brasileiros e opta por tirar dois para contratar coreanos. Logo esses dois jogadores de alto nível vão para outros times tirando a vaga de outros jogadores um pouco melhores. Quando esse prazo de validade acaba, por vários motivos (visto, falta de adaptação, problemas de comunicação etc), toda essa mudança realizada no cenário vai ser feita novamente, mas para o lado inverso.

O time que perdeu dois coreanos tem que buscar dois ótimos jogadores. E aí lembra a equipe um pouco melhor que conseguiu se estruturar? Ela provavelmente vai perder dois jogadores e ter que começar uma batalha novamente para procurar dois novos jogadores que vão vir de outro time mais abaixo, assim gerando um buraco negro no cenário. Há pouca estabilidade tanto para cyber-atletas quanto para as organizações.

Eu acredito, sim, que importar jogadores é uma maneira de evoluir o cenário, trazer novidades e melhorar nossos jogadores de várias maneiras, mas, até hoje, estamos fazendo isso com um prazo de validade que tem também seu lado negro.

A questão que fica no ar agora é: os novos reforços da Keyd para 2017 vão ter esse mesmo prazo? Vamos passar por tudo isso novamente?

Eu espero que, desta vez, os coreanos fiquem por tempo maior e ajudem a estabilizar tudo isso. Já sabemos que os jogadores podem ter um visto legal, assim como teve o Dioud na paiN, então este não vai ser o principal problema. Vamos lembrar que a maior dificuldade é a diferença cultural entre Brasil e Coreia. Só podemos torcer para que isso não afete o cenário de maneira negativa, e sim nos ajude a melhorar cada vez mais.

* Ednilson "Jukaah" Vargas é especialista em League of Legends e atualmente mora nos Estados Unidos, onde produz conteúdo multimídia sobre o cenário competitivo. Foi treinador de equipes brasileiras renomadas, como paiN Gaming, KaBuM.Black e Keyd Stars. É colunista do MyCNB desde julho de 2016 e escreve sobre o cenário brasileiro de LoL nos dias 25 e 10 de todo mês.
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