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Coluna do DrPuppet #23: como seria a LCS no modelo de franquias

No fim de agosto, o ex-Mid Laner e dono da equipe norte-americana Team SoloMid (TSM), Andy "Reginald" Dinh, anunciou que os donos de times que disputam a LCS North America mandariam uma carta para os executivos da Riot Games. Informações sobre os pedidos e pontos abordados na discussão vazaram e foram reportados pelo site Slingshot.

Se você não leu e quer saber sobre tudo o que estava escrito na carta e os pontos criticados pelos donos das organizações, clique aqui.

Nesta coluna iremos discutir e analisar um dos pontos cruciais sobre um possível cenário das LCSs norte-americana e europeia, caso a liga adote o modelo de franquias. Estou de volta depois de não ter podido escrever por conta de uma tendinite.

O sistema de franquias nos esportes tradicionais não é algo novo, principalmente para os americanos, que utilizam esse tipo de sistema em ligas como de basquete (NBA) e futebol americano (NFL).

Franquia é uma estratégia utilizada em administração que tem, como propósito, um sistema de venda de licença na qual o franqueador (o detentor da marca) cede, ao franqueado (o autorizado a utilizar a marca), o direito de uso da sua marca, patente, infraestrutura, know-how e o direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços. O franqueado, por sua vez, investe e trabalha na franquia e paga parte do faturamento ao franqueador sob a forma de royalties.

Ou seja, com a liga se adaptando para um sistema de franquia, a LCS não teria mais rebaixamento e os times seriam marcas. Times teriam a estabilidade financeira e segurança tanto no investimento como no trabalho para os membros da organização - o que é muito desejado por eles.

O sistema atual de rebaixamento, com o formato do Challenger Series em combinação com a quantidade de dinheiro que a Riot paga por direito de imagem, simplesmente não é o suficiente para times se manterem após caírem para a 2ª divisão. Assim, alguns times estão perdendo dinheiro e aqueles que estão na parte inferior da tabela da LCS têm problemas em atrair patrocínios por causa dessa instabilidade de alcance e financiamento do sistema atual.

Atualmente, equipes como TSM e cloud9 conseguem montar monopólios por terem uma chance pequena de cair para o Relegation e atrairem automaticamente mais investimentos ou pelo menos mais interesse de potenciais patrocinadores. Por isso, os donos de equipes têm certo medo e estão propondo a solução mais fácil e segura para eles: o modelo de franquia.

A adaptação para o modelo de franquia poderia tirar o fato de times mais antigos terem mais poderes financeiros e criar uma integridade competitiva mais saudável. Isso ajudaria financeiramente os times a terem mais chances de competir pelo título e não só as equipes que detém maior apoio financeiro, evitando, assim, o que acontece no futebol, como no caso do Bayern de Munique, que ganhou 12 títulos da Bundesliga nos últimos 16 anos.

Simplesmente por ser o time mais rico e com a maior fanbase, o Bayern de Munique conseguiu continuar no topo da liga alemã, enquanto outros times precisam chegar ao mesmo nível para competir sem ter a mesma base financeira. Esse modelo deixaria mais fácil para times montarem lines melhores e daria a liberdade de testarem novos rosters e jogadores sem correrem o risco de ir para o Relegation.

Apesar de isso forçar uma reestruturação no atual sistema do Challenger Series, com a mudança de sistema para franquias, teria que ser adotado um sistema em base de "drafting", igual acontece na NBA e na NFL, ou forçarem aos times da LCS a terem uma line-up em uma "minor league". Isso abriria espaço para talentos novos se destacarem e se desenvolverem.

No sistema atual não é só mais difícil de os jogadores se destacarem por falta de oportunidades, mas também o cenário desafiante tem, além dos problemas financeiros, os de estrutura. Há ainda a possibilidade de os donos de times poderem explorar jogadores facilmente por falta de regulamento no cenário. Assim, resolveríamos também o real problema do cenário, que é o circuito desafiante.

Enquanto as organizações estão, primeiramente, se preocupando apenas em si próprias, os torneios e partidas podem perder em qualidade. Não só os times podem entrar no modo de dificuldade fácil no início e as organizações não investirem em talento, mas também montarem o modelo de business deles voltado ao lucro. Obviamente pode ter o efeito oposto e os times investirem pesado e a passarmos a ver muito mais do que dois ou três times fortes, acontecendo assim um cenário similar ao da NFL, em que, nos últimos cinco anos, tivemos cinco times ganhando o Super Bowl. No final, vai depender dos donos das organizações.

Uma coisa que sentirei falta caso o sistema de franquias seja adotado será a narrativa como no caso do Origen no ano passado e a emoção de uma partida de Relegation. Já que os times estarão fixos, não será mais possível criar um time novo e conquistar o cenário que nem o Misfits fez neste Split. Além disso, perderemos o hype de vermos os nossos times preferidos lutando para se classificarem para primeira divisão ou conseguindo se manter na elite. É um tipo de emoção que todo fã do futebol provavelmente já passou, algo indescritível.

Só que isso tudo só será decidido pela Riot no fim de 2017, quando eles irão discutir novamente o formato da LCS. Por causa disso, os donos estão querendo chegar a um acordo com a Riot de fazer 2017 um ano de transição até ter uma decisão final sobre o tópico das franquias. Basicamente, só querem ter certeza de que vão estar na LCS com a decisão da Riot.

No último posicionamento, a Riot comentou que quer esperar para tomar uma posição sobre o tópico de franquias por não estar 100% segura se os donos atuais das equipes são os parceiros que a empresa quer ter.

Na minha opinião, o sistema de franquias pode dar certo nos e-sports, principalmente o formato que a Riot Games quer para a LCS. Além de ser uma solução rápida para vários dos problemas financeiros de muitas organizações, esse sistema dará um jeito no grande problema que é hoje o circuito desafiante. Só que eu não acho que isso é possível hoje em dia. O cenário de e-sports ainda está longe de estável. Um dos grandes fatores é que o mercado dos e-sports ainda é jovem, em que ainda não achamos a forma correta de organizar o formato de um torneio como também monetizar corretamente.

Eu não acho que se entrarmos em um sistema de franquias agora iria resolver os problemas a longo prazo. A curto prazo, com certeza resolveria a maioria dos problemas. Só que resolvendo o problema assim, e que nem uma criança falar para a sua mãe "eu lavo a louça depois", mas nunca irá fazer e os problemas só vão se acumulando. Sinceramente, eu acho que a Riot Games deveria rever a quantidade que paga para os times por direitos de imagem e um novo sistema de monetização.

Com isso resolvido, poderiam focar em resolver o real problema do Relegation e o cenário desafiante. E, quando resolverem isso, não terão problemas, apesar de preferências culturais.

Mas vamos ser sinceros, o que seria o League of Legends hoje sem ter as partidas de Relegation como Azure Cats e CLG ou KaBuM.Black contra Jayob e-Sports?

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* Alexandre "DrPuppet" Weber é analista e auxiliar técnico. Ele é nascido no Brasil, mas mora na Alemanha desde os 9 anos. Treinou o Kaos Latin Gamers (KLG) e levou a equipe à decisão do International Wildcard na temporada passada. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre League of Legends europeu e latino-americano nos dias 15 e 30 de todo mês.
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