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Coluna do DrPuppet #26: Brasil precisa investir na base para crescer

Todo ano, após o fim do Campeonato Mundial e o ínicio do próximo Split do CBLoL, alguém faz as famosas perguntas: "o Brasil merece uma vaga direta para o Mundial?" e "o Brasil está muito atrás das outras regiões?" Todo ano é a mesma coisa. Seja no Twitter ou no Facebook, essas perguntas são spammadas por vários fãs.

Só que, ao invés de estar fazendo essas perguntas, a comunidade brasileira de League of Legends e os fãs dos e-sports deveriam começar a se perguntar em que o Brasil precisa melhorar para chegar ao nível das outras regiões ou até ultrapassá-las. O Brasil ainda está longe de ser considerada como "major region", como chamamos os principais cenários da modalidade, e ao mesmo tempo o País não está pronto para ter cenários saudáveis de outros jogos, como é o caso do CS:GO.

Em 2016, o Brasil teve vários casos que trouxeram mudanças ao cenário e o forçaram a evoluir. Tipo o caso Loop, ou o recente entre INTZ e Sacyr, que mostraram por que temos hoje a ABCDE no Brasil. Mas também temos o interesse estrangeiros com a ESL, organizando o primeiro torneio de CS:GO internacional em solo brasileiro ou simplesmente convidando times do Wildcard para a disputa do circuito da IEM no League of Legends. No ano que passou, com certeza, aconteceu um monte de coisa no cenário competitivo, só que longe do suficiente.

Apesar de tudo o que aconteceu, no Brasil os salários ainda continuam sendo comparavelmente mais baixos com relação a outras regiões do League of Legends e o cenário de CS:GO ainda está longe de ser sustentável para vários profissionais da modalidade. A falta de uma comissão técnica robusta para os jogadores também tem um impacto grande.

Ao contrário do que acontece nos times coreanos e americanos, as equipes brasileiras e europeias ainda estão trabalhando, boa parte, com um técnico e no máximo um analista - quando há um. Com certeza, cargos especializados ou simplesmente uma comissão com mais pessoas conseguem ter mais impacto na performance e no aprendizado dos jogadores.

Só que o que realmente falta é o investimento na base, o cenário amador. Além dos claros problemas atuais no cenário profissional, o que realmente está faltando no Brasil é o treinamento do semiprofissional. Em 2017, times profissionais de League of Legends voltaram a investir no Circuito Desafiante, com INTZ e KaBuM.IDM tendo times jogando o torneio de acesso.

O problema que o Brasil teve nos últimos dois anos no League of Legends foi a falta de desenvolver talentos no competitivo. De procurar, caçar e treinar os possíveis talentos. O que faz uma região boa não é a primeira divisão, mas sim o jeito como os talentos são desenvolvidos.

Sejam coaches, analistas ou jogadores, o pulo do cenário semiprofissional para o profissional é imenso e investir em possíveis talentos é necessário para que essas promessas se tornem estrelas. Um Neymar não nasceu como Neymar que achou o sucesso no Santos e foi para o Barcelona. O Neymar nasceu com o talento, mas desde pequeno o jogador recebeu treinamento profissional e, com assistência técnica, foi capaz de desenvolver as habilidades necessárias para conseguir se destacar e se consagrar.

O Brasil necessita que esses talentos recebam as chances de se desenvolverem. Faça tryouts para um time reserva, ofereça estágios para possíveis técnicos e analistas. Entreviste e ache pessoas com perfil de atleta, com um mindset de campeão. E assim encontraremos o novo talento brasileiro.

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* Alexandre "DrPuppet" Weber é analista e auxiliar técnico. Ele é nascido no Brasil, mas mora na Alemanha desde os 9 anos. Treinou o Kaos Latin Gamers (KLG) e levou a equipe à decisão do International Wildcard na temporada passada. É colunista do MyCNB desde novembro de 2015. Escreve sobre League of Legends europeu e latino-americano nos dias 15 e 30 de todo mês.
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