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Conheça os casters do Esporte Interativo que estão brilhando no Counter-Strike

Narração em partidas de esportes eletrônicos é comum há muito tempo, mas novas vozes têm chamado a atenção da comunidade na transmissão da ELEAGUE, competição de Counter-Strike Global Offensive realizada nos Estados Unidos. Narradores do Esporte Interativo, Octávio Neto e Marcelo Ferrantini levaram o estilo dos esportes tradicionais para o e-sport.

Aos 27 anos, o carioca Octávio Neto está fazendo sucesso com linguajar descontraído e irreverente de transmitir as ações dos jogos para os espectadores. A liga, que é promovida pela rede de televisão norte-americana Turner, está sendo veiculada no Brasil nos canais do Esporte Interativo e pela internet, na Twitch.

Apaixonado por comunicação, Octávio entrou no curso de Jornalismo em 2009 e, três anos depois, começou a se aventurar em narrações esportivas em uma web rádio. No fim de 2012, surgiu a oportunidade de fazer parte do time do Esporte Interativo. Durante a faculdade, o narrador casou, teve filho e não conseguiu concluir o curso. Ele, entretanto, voltou às aulas e acredita que, neste ano, estará com o tão sonhado diploma em mãos.

"Eu sempre quis fazer jornalismo, desde moleque. Sempre gostei de escrever e sempre fui um cara desenvolto, brincalhão. Quando entrei na faculdade, eu já era aficionado em esportes e pensei em juntar o útil ao agradável. Nunca pensei em ser narrador, até de fato acontecer. Hoje eu penso que era meio destino mesmo. Quando era moleque, eu narrava futebol de botão, um pouco mais velho, narrava os jogos de vídeogame. Os amigos viviam pedindo para eu narrar as partidas deles. Minha intenção nunca foi trabalhar na frente das câmeras. Eu achava que ia viver escrevendo, mas ainda bem que o caminho me levou para o ofício oposto. Hoje eu tenho certeza que faço o que eu mais gosto de fazer", contou o narrador, em entrevista ao MyCNB, em meio às transmissões da ELEAGUE.

Já na equipe de casting do EI, Octávio narrou de tudo um pouco e - acreditem - até mesmo cabo de guerra. "Uma das coisas que aprendi neste pouco tempo de carreira é: aproveite as oportunidades. Então nunca disse 'não' para nada. Se me convidam para narrar qualquer coisa, eu sempre topo o desafio. Foi assim com a NFL [liga de futebol americano], eu dominava pouco o jogo no início, com a TNA, que hoje eu curto demais fazer, e aí por diante", ressaltou. TNA é uma empresa americana com programas similares ao WWE, lutas ensaiadas.

ocatvio-marcelo-esporteinterativo-divulgacaoOctávio (esq.) e Marcelo se destacaram na transmissão da ELEAGUE (Foto: Divulgação)

A paixão por esportes tradicionais sempre foi dividida com os games. Octávio contou que conheceu o Counter-Strike quando o jogo ainda estava na versão 1.3 e vivenciou a época de ouro das lan houses, quando a modalidade se tornou febre nacional.

O contato com o CS:GO aconteceu a apenas três semanas do início da ELEAGUE, quando soube que iria ser um dos narradores da competição. Sem conhecer nada do jogo, Octávio "caiu de cara" nos estudos para aprender nomes de mapas, posicionamentos, times e jogadores. Um desafio grande, afinal de contas, ele teve pouco tempo para se preparar e encarar uma comunidade que costuma ser rígida com novatos.

"Já narrei muita coisa louca, mas o que mais exigiu de mim nesse tempo certamente tem sido o CS. Para mim, é muito embrionário ainda. Sei que é um nicho muito fechado, de uma galera extremamente apaixonada e crítica. Não posso dar mole e falar alguma besteira que eu sei que vou ser dizimado. Tava muito preocupado em como a galera ia me receber. Mergulhei nos estudos, nos mapas, nas equipes, nas posições, nos jogadores, no campeonato... Mas tudo muito mais na leitura e assistindo vídeos. Vou começar a jogar agora. Sei que vai ser importante para eu pegar alguns aspectos que só jogando eu vou observar e sentir", destacou.

Assim como em todo novo trabalho, Octávio admite ter sentido o tradicional friozinho na barriga. Mas, quando entrou em ação, se sentiu confortável. "A santa padroeira dos headshots estava do meu lado", brincou.

O bom humor, aliás, é a característica marcante do narrador, que surpreendeu e arrancou elogios da comunidade pela maneira irreverente e divertida de comandar a partida. Na primeira apresentação, já cravou bordões como "fernomenal", dedicado ao jogador do Luminosity Gaming Fernando "fer" Alvarenga. Com seu jeito descontraído, Octávio teve o reconhecimento não só do público de CS:GO, mas também de outras modalidades. Pelo Twitter, jogadores profissionais de League of Legends o parabenizaram pela narração.

Sobre as frases engraçadas e os bordões, Octávio disse que é algo que "surge na hora". "É impossível eu pensar em tudo antes. Algumas das brincadeiras eu já usava do MMA, da NFL e quem acompanha já conhecia. Outras vão aparecendo conforme as coisas vão acontecendo no jogo. A maioria é nova mesmo. O CS é um universo de ações peculiares acontecendo, todas ao mesmo tempo. Fica muito mais fácil de brincar assim".

Questionado se há muita diferença entre a narração dos esports convencionais e o CS, Octávio respondeu: "É diferente, mas eu encaro da mesma forma, com a mesma responsabilidade. Quando narro NFL, MMA, TNA, futebol ou qualquer outra coisa, eu sempre me divirto fazendo. Tento colocar referências do dia a dia e interajo com a galera. É uma característica minha e eu sempre fui assim. Estava bem ansioso para saber se isso ia dar certo com o CS, mas não podia mudar o meu estilo. Se gostassem da narração, seria porque ela é de verdade. E graças a Deus a galera está curtindo. Não tinha noção da proporção de fãs. A quantidade de mensagens que eu tenho recebido é surreal. A galera que consome esse cenário é muito gente boa! Faço questão de responder todo mundo, porque cada dica me ajuda a corrigir alguma falha, buscar alguma informação, incluir alguma coisa na transmissão. Estou surpreso e feliz!"

Outro que embarcou na jornada dos e-sports no Esporte Interativo, Marcelo Ferrantini, de 28 anos, também do Rio de Janeiro, desistiu de dois cursos superiores até se encontrar no Jornalismo, curso que ainda está fazendo. Ele começou na profissão de comentarista há três anos e entrou para a emissora em 4 de agosto de 2013. Ele fez questão de enfatizar que decorou a data. Era só um teste para a NFL e acabou sendo efetivado.

Ele também está tendo a primeira experiência profissional com e-sports. Entretanto, diferente de Octávio, que não conhecia nada de CS:GO, Ferrantini disse que já acompanha o cenário competitivo do jogo há muito tempo, inclusive se aventura nas jogativas competitivas, sem muito compromisso. Além de CS, o narrador também gosta de asssistir aos torneios de League of Legends.

"Sou gamer. Jogo CS:GO e LoL, sou apaixonado por e-sports, jogo competitivo, jogo por diversão, acredito que videogames têm que ser parte da educação de crianças, têm que ser considerados cultura e esporte", opinou.

A paixão pelo Counter-Strike é antiga e começou no final da época de ouro do 1.6. "Daí veio a época do Condition Zero e a paixão morreu um pouco. Continuei jogando, mas, quando o CS:GO chegou, voltei a acompanhar o cenário. Sempre fui muito fã da Ninjas in Pyjamas".

Entusiasta dos esportes eletrônicos, Ferrantini não escondeu a felicidade de poder comentar profissionalmente um campeonato deste porte. Ele, inclusive, foi um dos responsáveis pelo planejamento para incrementar os e-sports na grade de cobertura do Esporte Interativo. "Cada reunião era uma emoção diferente. Quando tivemos a confirmação da ELEAGUE, fiquei extremamente feliz".

Na opinião do comentarista, não há muita diferença em trabalhar com esportes tradicionais e eletrônicos. A essência do trabalho é a mesma, claro, com particularidades para cada área.

"Teoricamente, não é tão diferente. Na essência, você analisa e explica ao público o que está acontecendo. Destrincha aquilo que está acontecendo e deixa simples para o público. Às vezes, mostra algumas coisas que eles não estão enxergando. É claro que cada um tem coisas diferentes a serem apontadas, a serem destacadas. Mas a tarefa em si não é tão diferente", comparou.

Octávio e Marcelo estão dividindo as narrações e os comentários com Bernardo "Bida" Moura e Otávio "bczz" Boccuzzi, dois nomes já conhecidos no cenário nacional nas transmissões de competições de CS:GO.

Marcelo, inclusive, disse que há muito tempo acompanhava as narrações de Bida. "A experiência está sendo incrível. Os caras são super gente boa. Duas máquinas. Dois monstros. Sabem demais. Estou tentando absorver tudo que eu posso e aprender com essa dupla. Os caras merecem o reconhecimento por tudo que fazem pelos games. Não existe dificuldade para eles. Entraram num habitat diferente, de transmitir via TV, com toda a mecânica que isso exige e estão tirando onda. Duas feras", elogiou Octávio.

casting-esporte-interativo-divulgacaoEquipe de casters da ELEAGUE, torneio de CS:GO transmitido no EI (Foto: Divulgação)

ELEAGUE

Com US$ 1,4 milhão em prêmios, a ELEAGUE conta com a participação de 24 equipes, inclusive a brasileira Luminosity, que tem dominado o Grupo A, na primeira semana de competição. Foram oito vitórias em oito partidas. Nesta sexta-feira (27), às 23 horas (pelo horário de Brasília) Gabriel "FalleN" Toledo e companhia disputarão a decisão da chave, contra o cloud9, dos Estados Unidos.


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Tags: csgo, Counter-Strike Global Offensive, eleague, esporte interativo, octávio neto, marcelo ferrantini