Siga o MyCNB  


  • Menu
  • Notícias
  • FalleN revela racha na equipe e lamenta contrato com SK: "Maior erro"

FalleN revela racha na equipe e lamenta contrato com SK: "Maior erro"

O capitão do time de Counter-Strike Global Offensive do Luminosity Gaming, Gabriel "FalleN" Toledo, se pronunciou, em um longo comunicado em inglês, sobre a polêmica com o SK Gaming. Ele disse ter sido contra a transferência, revelando um racha entre os jogadores, e avaliou que a assinatura do contrato foi "o maior erro da vida" deles.

O caso veio à tona com a matéria publicada pela ESPN, que noticiou que os cyber-atletas brasileiros assinaram contrato com o SK, mesmo tendo uma carta de intenção para renovação com o Luminosity, e depois decidiram permanecer na atual organização, do Canadá, em um movimento que pode ser questionado na Justiça. O contrato com o SK começa a valer em 1º de julho, depois do fim do vínculo com o Luminosity.

No comunicado, veiculado pelo site The Daily Dot, FalleN disse que recebeu e-mail do diretor do SK Gaming, Alex Müller, em 3 de fevereiro deste ano, com interesse na contratação da equipe brasileira, e que falou ao executivo para entrar em contato com o diretor do Luminosity, Steve Maida.

Entretanto, a negociação acabou indo para a frente porque os outros jogadores da equipe se interessaram pela proposta. "Eu não queria ser o cara que não deixaria os meus companheiros de time buscarem mais informações ou oportunidades. Por outro lado, eu sabia que eles não deviam fazer aquilo porque nós tínhamos acabado de assinar e aceitar, semanas antes, um novo contrato com o LG". 

FalleN afirmou que o desejo de sair dos companheiros era motivado por "pequenos problemas" dentro da organização. Ele citou, como exemplo, atrasos no pagamento de premiações de campeonatos, "mas nada muito grande", ressaltou.

fallen-luminosity-dreamhack-malmo-hltv-org
FalleN divulgou longo comunicado em que dá sua versão sobre polêmica (Foto: HLTV.org)

A carta de intenção com o Luminosity, firmada em 10 de dezembro de 2015, previa a assinatura do novo contrato em até 14 dias, o que não aconteceu, de acordo com FalleN, por culpa dos próprios cyber-atletas. "Por conta do time estar focado em jogar os torneios e do Steve não estar preocupado com a assinatura do contrato por confiar em nós, acabamos atrasando a assinatura. Não era o nosso foco e nunca separamos um tempo para fazer isso", escreveu.

Na versão de FalleN, a direção do SK passou a persuadir os jogadores de que a carta não os obrigava a renovar com o Luminosity, inclusive "mencionando que pagaria tudo que fosse necessário se o caso fosse para a Justiça". Em declaração à ESPN, o diretor do Luminosity sustentou que Müller "subornou, manipulou e enganou" os jogadores.

Para FalleN, a equipe deveria continuar na organização canadense. Já os outros jogadores queriam sair, "instruídos pelo SK de que eles tinham melhores opções e que mereciam mais", nas palavras do cyber-atleta.

Esse racha na equipe fez o capitão pensar em deixar os companheiros e criar um novo time. "Eu me senti muito mal com todos os acontecimentos. Conversei com minha família e com outras pessoas importantes para mim. Eles me fizeram perceber que eu deveria continuar com o time, mesmo se não concordasse com isso. Nosso time poderia ter se separado", revelou.

luminosity-se-cumprimenta-dreamhack-malmo-hltv-org
FalleN disse que time quase se separou por imbróglio nos bastidores (Foto: HLTV.org)

Juntos, os brasileiros - jogadores, treinador e manager - decidiram que "não queriam mais representar o LG até 2017" e pleiteavam ser vendidos pela organização. "Nós estávamos em uma situação muito difícil, porque não podíamos ser 100% transparentes, já que o Steve não fazia ideia de que já tínhamos um acordo com outra organização", disse FalleN.

Eles pediriam ao SK que recompensasse o Luminosity pela saída da equipe, mas FalleN admitiu, no comunicado, que isso era "super ingênuo", já que os contratos deles acabariam em julho e, com isso, poderiam ir para outra organização sem quaisquer custos. "Então, é claro que as conversas não prosseguiram".

Um dia antes da viagem para o major, FalleN e companhia assinaram com o SK Gaming, sem comunicar o diretor do Luminosity. "O maior erro de nossas vidas", classificou o capitão no comunicado.

Ele ponderou, por outro lado, que a definição deu "tranquilidade para focar no campeonato". Com ótima performance, o Luminosity conquistou o MLG Columbus 2016, em 3 de abril.

Contudo, a felicidade pelo título deu lugar à tensão. "Eu lembro de estar na mesa de jantar e não conseguir olhar para os olhos dele [de Steve]. Ninguém de nós teve coragem de admitir que assinamos. Mas, cedo ou tarde, teríamos de admitir", narrou FalleN. Steve ficou decepcionado quando soube, de acordo com o cyber-atleta. "Não há sentimento pior do que fazer algo errado para alguém que sempre lhe ajudou".

Os brasileiros ainda solicitaram à Major League Gaming (MLG) para que recebessem diretamente suas partes do prêmio, de US$ 500 mil, já descontando o valor destinado ao Luminosity, pois tinham medo de não receber o dinheiro da organização. "É importante salientar que o LG nunca nos ameaçou de ficar com o prêmio. Estávamos apenas preocupados".

luminosity-mlg-columbus-trofeu-hltv-org
Brasileiros tiveram medo de ficar sem premiação do major de CS:GO (Foto: HLTV.org)

Assim que retornaram da viagem para a competição, os jogadores voltaram atrás, decidiram que desejavam continuar no Luminosity e contrataram um advogado para acompanhar o imbróglio, visto que o SK cobrou o cumprimento do contrato assinado. O advogado da organização alemã, vinculado ao World Esports Association (WESA), teria dito que a equipe poderia ficar fora de competições da Electronic Sports League (ESL). Outro advogado assumiu o caso depois. "Eu entendo e concordo que cometemos um erro muito grande, mas nunca recebemos nada, nem um centavo, ou começamos a trabalhar com o SK. E o tempo entre a assinatura do contrato e a decisão de não querer ir mais foi muito pequeno: 22 dias", relevou.

Para FalleN, o episódio servirá de aprendizado para os cyber-atletas, que, segundo ele, "não tiveram aconselhamento durante a maior parte do tempo". "Então, ainda que tenham havido erros, foi o melhor que pudemos fazer com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo".

Finalizando o texto, o capitão acusou o SK de aliciamento. "Se não fosse pela abordagem implacável e as mentiras dele sobre ser normal discutir alguma coisa para quando o nosso contrato acabasse, nós nunca estaríamos nesta situação. É claro que estamos aqui para assumir a culpa por não lidar com isso de uma maneira melhor, tendo sido ingênuos e gananciosos".

Ele concluiu: "Nós continuaremos melhorando, não apenas dentro do jogo, mas também nas decisões da vida".

Outro lado

Antes da divulgação do comunicado de FalleN, o jornalista britânico Duncan "Thorin" Shields publicou um vídeo no Youtube em que comenta a polêmica e dá a versão do SK Gaming, que não aparece na matéria publicada pela ESPN.

Alex Müller disse a Thorin que a carta de intenção assinada com o Luminosity tornou-se inválida porque o contrato não foi assinado em 14 dias, como ela determinava. "Passados dois meses, os jogadores enfrentaram a situação de que a organização quebrou termos da carta de intenção em múltiplas ocasiões", afirmou o executivo, segundo relato do jornalista.

Ele sustentou ainda que os jogadores, o treinador e o manager convidaram a direção da SK para ir a Los Angeles, nos Estados Unidos, para encontrá-los, assinarem o contrato e "discutirem os próximos passos", depois, de um "bom tempo de negociação", o que, na interpretação do jornalista, enfraquece a versão de que os brasileiros foram pressionados.

"Nós não pressionamos ninguém. Os jogadores é que pediram que a situação fosse resolvida o mais rápido possível, preferencialmente antes de irem para Columbus [para a disputa do major]", disse Müller, que, durante a negociação, soube do medo dos cyber-atletas de não receberem o dinheiro de premiações e salários supostamente em atraso. Por isso é que o executivo disse ter prometido pagar valores pendentes e oferecido assistência jurídica.

Segundo o diretor do SK, a pressa dos jogadores do Luminosity era tamanha que foi considerada, inclusive, a compra da equipe antes de o contrato atual terminar, como FalleN comentou no relato dele. "Nós tentamos entrar em contato com a organização para explorar uma eventual compra antecipada, como era desejo dos jogadores. Mas, infelizmente, as múltiplas tentativas de fazer a negociação com o LG foram ignoradas". O SK ameaça entrar com processo judicial contra os brasileiros.


Veja também:


Tags: csgo, sk gaming, fallen, Counter-Strike Global Offensive, luminosity gaming, alex müller, Steve Maida