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Dono do paiN admitiu aliciamento no caso Loop, diz Riot em processo

A Riot Games Brasil apresentou sua defesa no processo em que o paiN Gaming pede a liberação do Support Caio "Loop" Almeida e disse que o dono da organização, Arthur "Paada" Zarzur, admitiu o aliciamento por três vezes antes de passar a negá-lo. A empresa informou ainda ter áudio que comprova o contato direto com o cyber-atleta, o que é proibido pela política antialiciamento do League of Legends.

Na contestação, de 29 páginas, à qual o MyCNB teve acesso com exclusividade, a Riot narra a cronologia do caso, rebatendo os argumentos da direção do paiN de que não houve apuração prévia dos fatos e garantia do direito à ampla defesa e ao contraditório na investigação que culminou na punição do paiN por aliciamento. Na temporada 2016, a equipe está proibida de inscrever Loop em torneios oficiais.

Segundo a Riot, o primeiro contato de Paada com os dirigentes do INTZ, time do qual Loop fazia parte, ocorreu em 21 de novembro de 2015. Nessa data, o dono do paiN manifestou interesse na contratação de um jogador do INTZ.

Em 24 de novembro, a direção do INTZ respondeu, perguntando qual era o cyber-atleta pretendido. No mesmo dia, o paiN informou tratar-se de Loop, recebendo como resposta que o INTZ não queria negociá-lo.

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loop-intz-postemporada-riotRiot Games sustenta que Loop foi aliciado pelo paiN e tem provas (Foto: MyCNB) 

No dia 2 dezembro, ainda conforme a narrativa da Riot, Paada ligou para o gerente de e-sports da empresa, Philipe "PH Suman" Monteiro. "Nessa ocasião, em breve síntese, o Sr. Arthur [Paada] acabou por admitir ter ciência de que infringiu a regra antialiciamento, mas que gostaria de resolver a situação porque tinha muito interesse no jogador", escreveu a defesa.

No dia 3, a direção do INTZ procurou a Riot Games para formalizar denúncia contra o paiN por descumprimento da política antialiciamento, que estabelece que as negociações de cyber-atletas devem ser iniciadas entre as organizações, sem contato direto com o jogador. Foi aberto o processo de investigação.

No dia 4, em nova ligação, Paada confessou "que já havia entrado em contato com o jogador Caio Loop, argumentando que estaria disposto até a pagar a multa contratual do jogador para que ele fosse para a paiN", de acordo com a Riot.

No mesmo dia, PH Suman retornou para Paada para "esclarecer fatos relatados em denúncia" e "confirmar a primeira confissão de aliciamento".

"Nessa oportunidade, o diretor da Autora [paiN] mais uma vez confessou ter contatado o jogador diretamente e saber estar infringindo as regras do campeonato, pedindo orientações para resolver a questão, inclusive informando estar disposto a pagar a multa prevista no contrato de Loop  com a INTZ, da qual sequer poderia ter conhecimento, pois este contrato era sigiloso; o que é só mais uma prova de que estava realmente em contato direto com Loop", escreveu a Riot Games na contestação.

Conforme a empresa, no dia 6, Loop mandou e-mail para os membros do INTZ, formalizando sua saída da equipe, "em uma, no mínimo, suspeita coindiência". Na madrugada do dia 7, de posse de informações de que Loop havia se desligado do INTZ para acertar com o paiN, em um negócio já considerado concretizado, o MyCNB publicou matéria sobre a transferência. Na ocasião, tanto Loop como paiN desmentiram a notícia.

A Riot afirma na defesa ter procurado o pai de Loop por e-mail, no dia 4, solicitando que lhe fossem encaminhadas todas as comunicações feitas pelo paiN com Loop ou seus pais. De acordo com a empresa, "o pai de Loop não negou ter sido contatado pela paiN Gaming, limitando-se a questionar, antes de enviar qualquer documento, se o jogador seria, de alguma forma, punido. Ou seja, alguma infração de fato ocorreu, mas ele pretendia garantir que Loop não fosse responsabilizado por ela".

No entanto, aponta a desenvolvedora, após o contato do advogado do paiN, Eduardo Porto, no fim da tarde do dia 4, "Loop e seus pais inexplicavelmente já não mais admitiam ter havido contato direto da paiN Gaming. Houve, portanto, uma brusca mudança de postura do jogador e de seus familiares, bem como da própria paiN Gaming, ao passarem a se contradizer".

Segundo a Riot, em reunião na sede da empresa, no dia 11, Loop e seu pai não responderam adequamente aos questionamentos, adotando, portanto, "postura contraditória". Naquele dia, mais cedo, o INTZ entregou à desenvolvedora gravação de uma conversa*, ocorrida no dia 4, "na qual representantes da INTZ e Loop ligam para o pai de Loop, que informa terem sido contatados pela paiN Gaming para contratação de Loop".

No dia 14, PH Suman e o gerente sênior de e-sports da Riot brasileira, Fábio Massuda, fizeram novo contato telefônico com Paada. "Nesta ligação, no entanto, o diretor da equipe Autora [paiN], também passa a se contradizer e, em vez de responder aos questionamentos formulados e esclarecer os fatos, novamente afirma apenas que tudo seria um 'mal entendido'".

Depois de chegar à conclusão de que houve aliciamento, diante dos "fatos apurados, das contradições, da manifesta má-fé dos envolvidos e dos diversos contatos realizados", a Riot Games anunciou a penalidade no dia 17 de dezembro, não sem antes, salienta a empresa, avisar as partes por telefone e e-mail.

Pela sanção, o paiN ficou impedido de inscrever Loop em campeonatos oficiais durante esta temporada, perdeu o dinheiro da premiação e dos direitos de imagem referentes ao 1º Split do Campeonato Brasileiro (CBLoL) 2016 e ainda teve o dirigente (Paada) suspenso.

loop-pain-2split2016-ss-riotgamesLoop está impedido de atuar como jogador pelo paiN nesta temporada (Foto: Riot Games)

"Diferentemente do que afirma em sua inicial, a apuração dos fatos ocorreu de forma intensa e muito antes do envio do e-mail que informou a decisão tomada pela ré [Riot], sendo certo que a aplicação da punição apenas se deu após diversos contatos com representantes da equipe autora [paiN], recebimento de informações pela INTZ, ligações e reunião com todos os envolvidos", sustentou a Riot Games em sua defesa. Para provar suas alegações, a empresa anexou ao processo cópias de e-mails, prints e cópias de contas telefônicas que indicam as ligações citadas, entre outros documentos.

Em um dos pontos da contestação, a empresa ainda questiona: "Qual seria o interesse da Riot Games em aplicar punição a uma das mais populares equipes participantes de seus campeonatos, sem a devida apuração dos fatos e a total e absoluta certeza dos descumprimentos perpetrados? Nenhum!"

Ela continuou: "Mesmo porque, a aplicação de punições resulta em ampla repercussão na comunidade virtual e gera, inclusive, revolta em jogadores e fãs da equipe punida! Nada disso é favorável aos interesses da Riot Games que, frise-se, realiza os campeonatos com um único objetivo: nutrir a paixão dos fãs pelo jogo League of Legends e promover seu produto entre os jogadores de jogos online!"

Em entrevista ao MyCNB no início deste ano, Loop disse que soube do interesse do paiN por meio da mãe, que havia conversado com a mãe do Solo Top Matheus "Mylon" Borges, no dia 2 de dezembro, mesma data em que a Riot afirma que Paada procurou PH Suman e admitiu o contato direto com o jogador.

Próximos passos

Com a contestação juntada à ação, o próximo passo é a resposta do paiN Gaming. "Neste momento, deverá ser assinalado o prazo de 15 dias para que a paiN ofereça réplica à contestação, bem como se manifeste quanto às alegações e às provas produzidas pela Riot", explica o advogado Helio Tadeu Brogna Coelho, especialista em Direito Digital.

"Em seguida, o juiz fixará os pontos controvertidos [em que há divergências de versões] e poderá, a depender da situação, designar audiência de tentativa de conciliação ou determinar a produção de novas provas. Esta fase pode ser extensa e prolongar o processo até a decisão final. Por fim, o juiz poderá ainda promover o julgamento antecipado do processo, no estado em que se encontra, se entender que as provas até então produzidas são suficientes para formar a sua convicção sobre o caso", avalia o advogado.
 
* O texto inicial desta matéria informava que o áudio era de uma ligação telefônica, o que estava incorreto. A gravação é de uma conversa presencial com Loop, que incluiu uma ligação telefônica para o pai de Loop. O texto foi corrigido às 19h44 do dia 3 de junho.


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Tags: pain gaming, riot games brasil, loop, processo