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Organizadores de torneios online criticam exigências da ABCDE

Os requisitos mínimos exigidos pela Associação Brasileira de Clube de Esports (ABCDE) para participação em campeonatos online preocupou e provocou críticas dos principais organizadores de competições no País. Para Xtreme League (XLG), ESEA Brasil e Gamers Club, algumas exigências fogem da realidade brasileira.

Na Política de Participação 2016, revelada nesta semana em primeira mão pelo MyCNB, a ABCDE requer premiação mínima de R$ 100 mil e taxa de participação de R$ 60 mil para que as equipes associadas participem de torneios de League of Legends com um mês de duração. Além disso, a associação cobra adicional de 15% para custos de impostos.

"É um valor muito distante para a realidade brasileira", arremata o gerente de e-sports da XLG, Felipe Campos, em entrevista ao MyCNB. "Inclusive estamos em negociação. Um ponto importante de mencionar é que, durante a apresentação deles [ABCDE], se disponibilizaram para negociar os termos e é justamente o que estamos tentado fazer, entrar em acordo com eles para viabilizar o negócio".

A XLG promove, além de competições League of Legends, disputas de Counter-Strike e DotA 2 pela internet. Para outras modalidades coletivas, fora o LoL, o requisito da ABCDE é premiação de R$ 10 mil e R$ 24 mil pela participação.

Na opinião de Campos, a ABCDE deveria ter conversado antes com os organizadores para chegarem aos números estipulados. "Deveríamos ter negociado para elaborar, deveria ter sido um trabalho em conjunto, porque os times precisam dos campeonatos e os campeonatos precisam dos times. É um negócio que nenhum vive sem o outro".

O responsável pela XLG se diz preocupado com o fato de, em nenhum momento, a ABCDE ter mencionado o repasse da taxa de participação para os cyber-atletas. "Então eu não sei se o investimento que eu fizer vai ser levado aos jogadores ou se eles vão continuar ganhando merreca".

Apesar de não concordar com certos pontos da Política de Participação, Campos espera que a ABCDE esteja disposta a negociar da melhor maneira possível. "Não só conosco, mas com organizadores pequenos. Que façam um trabalho sério, para não acabar com essas iniciativas que fazem o cenário crescer".

O gerente ressalta que, caso não consiga chegar a um acordo com a ABCDE, a XLG continuará realizando torneios sem os times filiados à associação. Ele ainda projeta uma possível união dos organizadores de eventos para buscarem melhorias para o lado deles.

Os responsáveis por ESEA Brasil e Gamers Club, que realizam torneios de CS:GO, não veem problema na premiação de R$ 10 mil, mas discordam de outros pontos da Política de Participação.

"Eu vejo com estranheza cobrarem taxa de participação. Cada liga tem uma forma de se monetizar e de gerir seu negócio. Pagar para ter os times não é algo que eu vejo com bons olhos, a contrapartida simplesmente não vale o suficiente, ao meu ver", opina o community manager da ESEA Brasil, Natanael Rabelo. "Nenhum representante da ABCDE entrou em contato com a liga da ESEA para uma conversa, saber o que achamos etc. Na última temporada, a premiação foi uma viagem com tudo pago para a Polônia, nenhuma outra liga online no Brasil faz isso. Isso agrega muito ao cenário".

Para Yuri Uchiyama, responsável pela GC, R$ 34 mil - valor de premiação e taxa de participação - não é muito. "O problema é que as ligas brasileiras hoje não dão retorno, são investimentos. Queremos o melhor para a comunidade e jogadores, mas, para a Gamers Club, este valor é inviável hoje".

Ele se preocupa com o fato de que a ABCDE faça apenas exigências e não esteja aberta a acordos com os organizadores para a viabilização dos torneios.

"Caso não haja diálogo, uma possibilidade é que não haja campeonatos para estas equipes e os times tier 2 passem a se tornar o tier 1. Sem a possibilidade de jogar, os jogadores do tier 1 ficarão insatisfeitos e procurarão outras alternativas, talvez forçando para que a associação crie sua própria liga. Estes conflitos trarão diversas possibilidades, desde a criação de uma associação de organizadores até mesmo uma associação dos jogadores. Por isso existe extrema importância no diálogo ou cada um vai pensar apenas no seu lado e todo o sistema vai travar", destaca.

Também procurado pela Reportagem, o diretor da ESL Brasil, Moacyr Alves, não quis falar sobre o assunto.

Circuito Desafiante

O Circuito Desfiante é a principal liga online de League of Legends do Brasil. É por meio do torneio, promovido pela XLG em parceria com a Riot Games Brasil, que as equipes podem chegar ao Campeonato Brasileiro (CBLoL), a competição da 1ª divisão.

A liga atualmente não atende à exigência da ABCDE. De acordo com a Riot Games, o valor de premiação e direitos de imagem para os dois Splits da temporada é de R$ 80 mil, sendo R$ 40 mil para cada. A ABCDE requer R$ 100 mil de premiação e R$ 60 mil de participação - 300% mais.

O MyCNB questionou a ABCDE, por meio da assessoria de imprensa, se a associação iria pedir aumento para a Riot e se os times filiados disputariam o campeonato, com suas lines B, mesmo tendo uma premiação abaixo da exigida. A resposta é de que não há uma definição sobre o assunto. 

Outras premiações

No CS:GO, a XLG teve premiação total de R$ 18 mil, ou seja, valor abaixo do exigido pela ABCDE. Já no 2º Split, que está em andamento, o valor total é de R$ 80 mil; R$ 56 mil serão destinados à premiação e o restante, R$ 24 mil, a direitos de imagem que serão pagos para as equipes.

No 1º Split da Xtreme League de DotA, o torneio teve premiação de R$ 17,5 mil. No 2º Split, o jogo saiu da grade de disputas.

A XLG também realizou recentemente a Copa Go4Gold de League of Legends, com premiação total de R$ 20 mil, sendo R$ 6 mil pagos aos times pela participação.


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Tags: e-sports, abcde, política de participação