Siga o MyCNB  
  • Menu
  • Notícias
  • Pro-players se opõem a decisão de entidade de clubes; um é demitido

Pro-players se opõem a decisão de entidade de clubes; um é demitido

Elencos de cinco equipes de Counter-Strike Global Offensive que competem na América do Norte se manifestaram contra decisões tomadas pela Professional Esports Association (PEA), a associação que reúne organizações norte-americanas de esportes eletrônicos. Uma das reclamações era a proibição de os times filiados participarem da ESL Pro League (EPL) em 2017, o que acabou sendo revogado em partes.

Em carta aberta ao público, divulgada na semana passada, os cyber-atletas escreveram que a "PEA propôs um plano para obrigar que a EPL deixe a América do Norte” e que, se isso não acontecesse, a "associação forçaria a saída dos times da EPL e iria restringi-los a disputar somente as competições promovidas pela PEA".

No manifesto, os jogadores criticaram a falta de transparência da associação e dos donos das organizações quanto à negociação com a EPL. Eles disseram que as conversas entre a PEA e o comitê da liga foram iniciadas no dia 7 deste mês, somente após o representante dos jogadores enviarem uma carta à associação e aos donos das equipes, e finalizadas uma semana depois, com a PEA recusando uma proposta da organização do torneio.

Apesar de terem a impressão de que sempre possuíam a "palavra final" sobre os campeonatos que disputariam, os cyber-atletas descobriram que, na verdade, não tinham esse direito ao conversarem com a associação e os donos das organizações. "Quando a PEA e os donos das nossas organizações começaram a falar mais abertamente sobre a capacidade deles de nos dizer onde podemos ou não jogar, nós perguntamos quem havia lhes dado esse poder. Eles foram diretos: [esse poder] está em seus contratos. O que nos chocou".

esl-pro-league-finais-brasil-4-hltv-org
ESL Pro League esteve no centro de polêmica no Counter-Strike (Foto: HLTV.org)

Os jogadores explicaram que, antes de o problema vir a público, tentaram resolver o imbróglio internamente, sem sucesso. "Os proprietários das equipes filiadas à PEA marcaram reuniões para tentarem nos convencer de que o plano deles era o melhor para o nosso interesse. Eles nos apresentaram um documento, o qual solicitamos para apreciarmos junto ao nosso representante, mas nunca recebemos”.

O plano da PEA de forçar a EPL a sair da América do Norte ou realizar um boicote contra a liga tornou-se público em matéria publicada pelo site Slingshot no último dia 20. De acordo com a publicação, a associação chegou a oferecer uma parceria com a ESL para realizar um torneio global com finalistas de múltiplas ligas da modalidade, ideia recusada pela World Esports Association, associação composta por sete organizações europeias e que trabalha em conjunto com a ESL.

A notícia de que as negociações entre PEA e EPL haviam sido finalizadas sem acordo veio um dia após o representante dos jogadores enviar à associação um comunicado com a posição dos cyber-atletas. "O PEA nos respondeu solicitando uma reunião por telefone. Estávamos hesitantes, mas concordamos em considerar a reunião e explicamos que levaria algum tempo para ela acontecer, já que tínhamos jogadores disputando o qualify para o Major. No dia seguinte, descobrimos sobre a finalização da negociação entre PEA e EPL e que o comitê do torneio havia oferecido compartilhar as receitas, o que foi recusado pela associação”.

A PEA foi criada em setembro deste ano por sete organizações que competem no CS:GO, para lutar em prol dos jogadores e equipes e com objetivo de se tornar a "NBA do e-sports". Em 2017, a associação planeja promover o próprio torneio, que no ano de estreia teria premiação total de US$ 1 milhão.

Das organizações filiadas a PEA, assinaram a carta os jogadores de Immortals, do Brasil, Team Liquid, Team SoloMid (TSM), Counter Logic Gaming (CLG) e cloud9 - todos da América do Norte. Os 25 cyber-atletas foram representados pelo advogado Scott "SirScoots" Smith. Os elencos do NRG Esports e compLexity Gaming não participaram do manifesto.

Demissão

Um dos cyber-atletas que assinaram o manifesto contra a PEA, Sean "seang@res" Gares acabou demitido do TSM após a carta ser divulgada. Em comunicado, o dono da organização, Andy "Reginald" Dinh, acusou o jogador de ter agido pelas costas dele. "Menos de uma semana após o jogador assinar com o time, ele enganou e manipulou meus outros jogadores, convencendo-os a assinar uma carta que não leram e não entenderam" 

O executivo argumentou que nenhum dos integrantes do time, incluindo seang@res, conversaram com ele sobre a PEA e o manifesto contra a organização. "Eu me senti cego pela carta, uma vez que foi publicada no Reddit. Eu procurei os jogadores individualmente e todos disseram que Sean pediu para fazerem isso. Eu senti que Sean, meu jogador, estava trabalhando para me machucar sem qualquer intenção de compromisso"

seangares-hltv-org
seang@res acabou demitido do TSM após assinar carta contra associação (Foto: HLTV.org)

As afirmações de Reginald foram rebatidas pelos próprios jogadores do TSM. Os quatro cyber-atletas que permaneceram no time reconhecem que deveriam ter procurado o dono da organização "para, pelo menos questionar sobre o que estava acontecendo com a PEA" e sustentaram que ninguém foi manipulado. "Gostaríamos de esclarecer que o TSM não nos maltratou ou qualquer coisa do tipo, mas que tudo que está na carta é factual. Quanto a Sean ter 'nos manipulado' para assinar a carta, isso não é verdade. Todos nós tivemos uma chamada no Skype com nosso representante, que delineou o tom, mensagens e as nossas intenções na carta - o que não era para ser antagônico ou um ataque pessoal a qualquer proprietário"

Seang@res também se manifestou publicamente e contrapôs o executivo sobre eles nunca terem se encontrado para falar sobre o assunto. "No dia 9 de dezembro, eu e Andy fomos almoçar juntos e conversamos sobre nossa equipe e as diferentes questões da indústria do e-sports. Ele me questionou sobre os diferentes tipos de estrutura de campeonatos no e-sport e nos esportes tradicionais e dei-lhe minhas opiniões. Este almoço aconteceu dois dias após nosso representante enviar a primeira carta à PEA".

Volta atrás

Depois de toda a repercussão na comunidade, a PEA decidiu permitir que os jogadores escolham se querem participar da ESL Pro League ou da liga a ser promovida pela entidade. Os clubes de e-sports sustentaram que, por contrato, têm o direito de escolher em qual campeonatos seus cyber-atletas irão competir, mas deixar que os jogadores decidam é sinal de "boa fé".


Veja também:


Tags: csgo, Counter-Strike Global Offensive, esl pro league, carta, pea, esl pro league 2017