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Dez bans no LoL deixam jogo mais complexo, dizem profissionais; veja opiniões

O aumento do número de bans, de seis para dez, em partidas de competições oficiais de League of Legends deixará o jogo mais complexo. Essa é a avaliação de cyber-atletas e treinadores brasileiros ouvidos pelo MyCNB após o anúncio da Riot Games.

Na opinião de profissionais que disputarão o Campeonato Brasileiro (CBLoL) 2017, as equipes deverão ter maior leque de estratégias e os jogadores precisarão dominar mais campeões.

Para o treinador do CNB e-Sports Club, Hugo "Galfi" Augusto, os dez bans privilegiam o trabalho tático. "Este novo draft força a equipe técnica a ser mais adaptativa e realmente entender como as composições funcionam e quais campeões podem ser maleáveis para se encaixarem em mais de um estilo de jogo, ao invés de só planejar e prever, que era o que acontecia no passado".

"O novo formato deixa o draft definitivamente mais complexo, necessitando de estudo mais profundo das possíveis escolhas abertas a você e ao outro time", opina o técnico do Keyd Stars, Lorenzo Jung.

O coach do Operation Kino (OPK), João Pedro "Dionrray" Barbosa, chama atenção para a preparação dos cyber-atletas. "Além de ficar mais difícil para a comissão técnica, dificulta também para os jogadores que, além de terem de ter uma voz mais ativa durante o draft, terão de expandir suas champion pools".

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Dionrray lembra que cyber-altetas terão de expandir champion pools (Foto: Riot Games)

Ele acredita que "muitos jogadores do CBLoL têm champion pool bem previsível, tanto em relação a campeões específicos como em relação ao estilo de jogo, permitindo prever o que pickarão". Porém, na opinião do treinador, se o Brasil não estiver preparado para a mudança nos picks e bans, "terá que se preparar". "Como profissionais, é nosso dever nos adaptarmos ao que é imposto pela Riot. Creio que, passado o período de adaptação, tudo tenderá a se normalizar e a região não será afetada".

Com mais bans, haverá a possibilidade de novos campeões, não tão costumeiramente utilizados, aparecerem nas partidas. É um dos aspectos positivos ressaltados pelo analista Alexandre "DrPuppet" Weber, colunista do MyCNB. "O formato é ótimo. Os lados estão mais igualados e você tem agora como adaptar a picks e estratégias dos oponentes. Coisas 'quebradas' [muito fortes] poderão ser banidas e você poderá tirar completamente um jogador da zona de conforto nos três primeiros bans. Enquanto você consegue se adaptar estrategicamente na segunda rodada, os jogadores precisarão ter uma champion pool maior. Os metas não vão ser mais definidos por certos campeões, o que provavelmente vai deixar o jogo mais saudável na parte competitiva".

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DrPuppet chama atenção para variedade de novas estratégias (Foto: Riot Games)

Novo formato

Pelo novo formato anunciado pela Riot, haverá duas fases de bans e duas de picks. O draft começa como é hoje: com cada equipe desabilitando três campeões. Depois, os times fazem três escolhas, dos campeões que usarão no jogo. Na sequência é a vez de novos banimentos, dois para cada time. A seleção termina com mais duas escolhas para as equipes.

"A primeira fase do draft será parecida, mas a segunda trará a possibilidade de bloquear composições no meio do draft ou banir champion pools inteiras de alguns jogadores", analisa o Jungler do RED Canids, Carlos "Nappon" Rücker.

Para o Jungler do OPK, Filipe "Ranger" Brombilla, a ordem dos picks e bans não vai impactar tanto no jogo. "Creio que não impacte muito devido ao formato, as primeiras rotações de pick vão continuar sendo as mesmas com heróis flexíveis que não mostram muito da composição". Mas, a partir da segunda fase de bans, será preciso ter muita atenção. "É um bom mecanismo para quebrar uma composição, banindo os melhores campeões de algumas funções específicas caso o outro time já mostre um estilo de jogo, além de poder se prevenir de counterpicks".

Uma preocupação levantada é uma equipe concentrar os cinco bans em um só jogador, podendo tirar cinco campeões de uma mesma role, dificultando as escolhas adversárias. Isso, na opinião do técnico do paiN Gaming, Gabriel "MiT" Souza, pode ser evitado. 

"Você tem tempo para identificar isso. Caso uma equipe bana três campeões na primeira etapa, você pode tentar garantir algum antes que a segunda fase de bans aconteça. Isso reflete o ponto que todos os jogadores vão ter de sair um pouco da zona de conforto e criar alternativas viáveis para a equipe. Diversidade! Vai premiar os jogadores que se adaptarem melhor e prejudicar aqueles que não se movimentarem para aprender novos campeões", analisa MiT, que aprova a novidade dos dez bans. "Eu achei mais dinâmico, dá abertura a novas estratégias e valoriza o jogador que passa mais tempo tentando investir no seu leque de campeões".

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MiT acredita que tática de focar bans em uma role pode ser evitada (Foto: Riot Games)

Há quem enxergue problemas no novo draft, como o AD Carry do Remo Brave, Matheus "Sarkis" Sarquis. "Talvez, no começo, vejamos alguns jogos muito desiguais porque, como você tem quatro bans no meio do draft, quem conseguir pegar os campeões 'OPs' mais rápido vai banir os counters e ganhar o draft. Parece mais simples, mas vai complicar bastante a vida dos coaches e analistas no pré-jogo", opina o cyber-atleta, para quem o lado positivo de expandir o gameplay é superado pelo lado negativo. "Não acho todos os campeões do LoL de nível competitivo".

Tempo menor

Apesar de mais bans terem sido adicionados ao draft, o tempo de seleção dos campeões será o mesmo. É que a Riot irá diminuir a duração de cada fase de 60 para 30 segundos para manter o tempo total. É o ponto de maior disparidade de opiniões.

DrPuppet acredita que 30 segundos é pouco tempo. "Normalmente o coach comunica o que quer fazer e ouve um feedback dos jogadores. Isso não dá para fazer em 30 segundos. Isso é contra a ideia das duas fases de picks e bans, porque você não terá tempo para falar e se adaptar, no final das contas. Os espectadores vão gostar mais do draft não sendo longo, mas a qualidade dos jogos provavelmente vai cair com menos tempo".

Galfi, treinador do CNB, admite que "vai ficar tudo mais corrido". "Isso vai exigir mais agilidade e preparação da equipe técnica, até porque, mesmo sendo mais complexo, esse draft ainda exibe um certo grau de previsibilidade. Mas, com certeza, as decisões vão ter que ser mais rápidas e vão ser necessárias ter algumas cartas na manga, alguns campeões coringas que possam ser pickados em uma variedade grande de situações".

Disparidade

Ex-treinador e coapresentador do programa "Late Game Show", Eduardo "etsblade" Souza é entusiasta dos dez bans, mas vê um ponto negativo na novidade: pode crescer a diferença das melhores equipes em relação às demais, de forma que "dois ou três times disputam as cabeças e o resto briga por baixo", explica. "Isso normalmente já acontece, mas, quando você cria uma complexidade maior, o valor de uma equipe técnica maior e mais preparada vai ficar muito mais explícita. As equipes vão ter que se preocupar mais ainda com a questão da champion pool. Diferenças enormes que antes eram ajustáveis agora ficarão mais explícitas".

O Solo Top do Remo Brave, Vinicius "Thulz" Machado, concorda. "O time que conseguir se adaptar mais rapidamente, por qualquer que seja o motivo, vai ter uma grande vantagem", diz. "Inicialmente a adaptação vai ser muito difícil. É um sistema novo, estamos na vanguarda disso tudo e esse é um período muito curto para isso. Mas é um desafio a mais que todos vão ter nessa etapa inicial".

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Tags: League of legends, dez bans