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Mudança no CBLoL será avaliada, mas "nenhum formato é perfeito", diz Riot

Modificações no formato do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) estão no radar da Riot Games Brasil para a próxima temporada, mas "não necessariamente uma mudança vai atender às prioridades do desenvolvimento do cenário". Esse é o posicionamento do gerente de operações de ligas da desenvolvedora, Philipe "PH Suman" Monteiro, que, em entrevista exclusiva ao MyCNB, falou sobre o clamor da comunidade para alterações no CBLoL.

Ele disse que, assim como faz todos os anos, a Riot irá pensar em eventuais alterações de formato durante o planejamento para a próxima temporada. "Estamos atualmente reunindo informações necessárias para começar essas conversas internas da forma mais adequada possível. Mas é importante ajustar as expectativas de que não necessariamente uma mudança de formato vai atender às prioridades de desenvolvimento do cenário", ponderou PH Suman.

O executivo negou que o aspecto financeiro e a transmissão do CBLoL na televisão sejam empecilhos para alterações no sistema de disputa e disse que todos os formatos têm "lados positivos e negativos". "O nosso desafio é escolher um que atenda às necessidades do momento do cenário, garantindo que vamos conseguir lidar com as consequências. Seja qual for o caminho escolhido, nossa preocupação sempre será a de garantir a integridade do campeonato".

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Desde o início do formato atual, em 2015, o CBLoL tem séries md2 (Foto: Riot Games)

Desde a primeira edição no formato atual, em 2015, o CBLoL conta com oito times participantes, que, na Fase de Classificação, se enfrentam em séries md2, em turno único. Nesse tempo todo, só houve uma alteração, a partir do 2º Split de 2016, quando só os quatro primeiros colocados passaram a avançar para a Fase Eliminatória. Antes, classificavam-se seis.

Nos útimos meses, tem crescido a insatisfação da comunidade, das direções das equipes e dos cyber-atletas com o formato da competição. Os times brasileiros são os que menos jogam em sua liga regional.

Confira a entrevista com PH Suman, concedida por e-mail, na íntegra:

Uma novidade nesta temporada é o fim das punições com perda de pontos. Mas, apesar de haver multa em dinheiro, algumas trocas durante o CBLoL e o Circuito Desafiante foram realizadas. Como você avalia essa regra da multa em dinheiro? Tem sido bem sucedida?
O que motivou essa mudança nas penalidades foi, em primeiro lugar, evitar que decisões tomadas fora de jogo afetem diretamente o andamento da competição, como acontecia com as penas em pontos. Em segundo lugar, queríamos impor condições para que não hajam trocas de jogadores em grande volume, de forma descontrolada, pois isso confunde e afeta negativamente a experiência de quem assiste ao campeonato. Acreditamos, ao mesmo tempo, ser importante existir formas de incluir novos membros no time, seja por estratégia ou outro tipo de necessidade, e a multa progressiva é uma forma de cobrir todos esses pontos.

E quanto à substituição entre partidas de uma série, que passou a ser mais utilizada neste Split? Que avaliação você faz do uso dessa regra?
Possibilitar times mais flexíveis sempre foi o objetivo dessa regra e é muito bom ver que a maioria das equipes está aproveitando esse recurso. É uma realidade global que os times de League of Legends sejam compostos por mais do que apenas cinco jogadores e ter organizações desenvolvidas o bastante para isso é um bom sinal de evolução do cenário brasileiro.

Há uma grande mobilização, da comunidade e das equipes, pedindo mais partidas no CBLoL. Na próxima temporada, o formato do CBLoL vai mudar para que haja mais jogos?
Como já comentamos em outras oportunidades, todos os anos dedicamos um período para reavaliarmos os vários aspectos de nossas ligas e planejar a próxima temporada. Isso inclui questões como calendário competitivo, estratégia de eventos, mudanças no estúdio, alterações no regulamento e, é claro, formatos das ligas. Depois de alinhar em quais pontos vamos focar para evoluir no ano seguinte, cada área dentro da divisão de e-sports faz os ajustes necessários com a intenção de alcançar esses objetivos. É nessa hora que estudamos as opções de formato para decidir qual faz mais sentido para aquelas prioridades que definimos na conversa anterior. Estamos atualmente reunindo informações necessárias para começar essas conversas internas da forma mais adequada possível. Mas é importante ajustar as expectativas de que não necessariamente uma mudança de formato vai atender às prioridades de desenvolvimento do cenário.

Qual o formato mais possível? Confrontos md3? Confrontos md2, ida e volta? Confrontos md3, ida e volta?
Como citei, ainda não temos essa resposta, mas sabemos que nenhum formato é perfeito e que todos trazem lados positivos e negativos. O nosso desafio é escolher um que atenda às necessidades do momento do cenário, garantindo que vamos conseguir lidar com as consequências. Seja qual for o caminho escolhido, nossa preocupação sempre será a de garantir a integridade do campeonato.

No Twitter, você brincou dizendo que se, o Eric, do site Mais Esports, pagasse a conta, poderia haver mais jogos no CBLoL. Depois, em outro tuíte, disse que a questão financeira era o terceiro fator mais importante. Quais são os outros dois mais importantes?
Apesar de trabalharmos com um orçamento definido, como em qualquer empresa, não priorizamos os custos nas discussões de formato, calendário e regras. Dentre os muitos fatores que influenciam nesse tipo de decisão, de longe, o principal é a experiência dos torcedores, que sempre será nossa prioridade número 1. Mesmo que num primeiro momento nossas decisões não deixem nosso objetivo explícito, a nossa meta é sempre entregar a melhor competição para os fãs de e-sports. Outro ponto importante é apoiar o desenvolvimento sustentável do cenário, junto aos times e jogadores, sempre garantindo a integridade competitiva.

Seria possível fazer mais jogos mantendo os mesmos dois dias de disputa a cada rodada?
Ainda não discutimos novos formatos e não chegamos a debater detalhes de qualquer mudança no CBLoL.

Você também costuma repetir que, não é porque uma competição mais alongada funciona em outras regiões, que vai funcionar aqui, que cada cenário tem as suas características. Por que funcionaria fora e não aqui? Quais são as diferenças?
Cada mercado funciona de uma maneira específica e por essa razão a Riot Games não define um formato único para todas as regiões. Existem importantes diferenças culturais, de audiência, de hábito dos jogadores e de necessidades dos times que não são similares em todas as regiões.

O fato de o campeonato ser transmitido em um canal de televisão colabora para que os confrontos não sejam md3?
Nossas decisões de formato não são baseadas ou influenciadas na transmissão via TV. O nosso maior objetivo em e-sports é oferecer um bom entretenimento para jogadores de League of Legends. O principal motivo de olharmos para audiência é que ela serve como um termômetro dessa missão. Tendo números crescentes, com cada espectador permanecendo um bom tempo nas transmissões, temos um forte sinal de que estamos atingindo o objetivo. Para isso, olhamos toda nossa audiência, não somente a que temos nas transmissões na TV.

A LCS North America e a LPL adotaram o modelo de franquias. É possível isso ser utilizado no Brasil ou a nossa cultura esportiva não permitiria isso?
Recentemente, China e América do Norte anunciaram seus planos para a criação de uma nova estrutura nas ligas de e-sports, em um movimento onde os times tornam-se sócios formais das ligas regionais de forma permanente. Esse movimento é mais um passo da Riot Games no sentido de avançar na visão para o futuro de e-sports que compartilhamos em 2016. O movimento seguido por essas regiões, considerando a natureza de seus mercados, faz parte dessa visão.

Especificamente no caso do mercado brasileiro, investimos fortemente na consolidação do cenário entre 2016 e 2017 e, como consequência, celebramos um grande movimento de expansão e de estruturação, onde o e-sport se torna legítimo ao público e relevante na região, e onde organizações atingem cada vez maior nível de profissionalismo e representatividade. Isso abre caminho para que a mídia e os patrocinadores, peças fundamentais na evolução e sustentabilidade do negócio, descubram as possibilidades e possam fazer parte desse ecossistema.

Temos confiança no potencial do mercado brasileiro de atingir níveis cada vez maiores de crescimento, investimento e comprometimento de seus integrantes, mas, como as demais regiões, não seguiremos o movimento de criação de franquias para o CBLoL por acreditarmos que este não é o momento para essa mudança no Brasil, considerando as características de nosso mercado local. Acreditamos que vivemos uma fase de transformação muito positiva de nossa liga e reforçaremos as discussões na comunidade de fãs de e-sports e demais integrantes do cenário sobre como criarmos o nosso próprio caminho para a estabilidade e o sucesso no longo prazo.


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Tags: League of legends, cblol, riot games brasil, ph suman, formato, md2