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Felps sobre início no SK: "Eu cheguei a perguntar se estava sendo um problema"

Há seis meses no SK Gaming, João "Felps" Vasconcellos está no topo do Counter-Strike mundial, mas, no início de sua trajetória na equipe brasileira, teve uma série de resultados que o levou a questionar os demais cyber-atletas se estava sendo problema. Ele e os companheiros deram a volta por cima e reconquistaram o posto de melhores do mundo. Mesmo assim, não estão satisfeitos. "Nós queremos ser a melhor equipe de todos os tempos", crava Felps.

Ele conversou neste domingo (30) com o MyCNB na Arena MAX5, em São Paulo, onde acontece o Encontro das Lendas, evento que reúne os jogadores do SK e os fãs.

Na entrevista, Felps relembrou o início difícil no SK, após ter sido anunciado oficialmente em fevereiro, para substituir Lincoln "fnx" Lau. Logo na estreia dele, na DreamHack Masters Las Vegas, a equipe chegou ao vice-campeonato, perdendo a final para o Virtus.pro (Polônia). Nos dois campeonatos seguintes, porém, os brasileiros não passaram da Fase de Classificação da Final Mundial da Intel Extreme Masters (IEM) XI e da 3ª temporada da StarLadder i-League StarSeries.

As campanhas ruins fizeram Felps pensar que a line-up poderia não dar certo, conforme revelou ao MyCNB. "Eu cheguei a perguntar se eu estava sendo um problema. A SK antigamente não estava ganhando, mas estava chegando. Nessa época, nós nem chegávamos, eu não entendia o que estava acontecendo. Nós voltamos aos Estados Unidos depois de perder esses campeonatos, conversamos e nos reinventamos".

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A partir do cs_summit, o time voltou a embalar e, dos oito campeonatos disputados desde então, venceu cinco. No PGL Major, em Cracóvia, na Polônia, o SK caiu nas Quartas de Final ao perder para o Astralis (Dinamarca). "Eu acho que nós não estávamos no nosso melhor dia e muita gente já tinha nos visto jogar, estavam estudando um jeito de nos parar. E nós não preparamos para isso, nós imaginamos que poderia dar certo no major tudo o que usamos nos outros campeonatos", disse Felps.

Ele também contou que o objetivo do time brasileiro é marcar seu nome na história do Counter-Strike Global Offensive. "Nós queremos ser a melhor equipe de todos os tempos, dar orgulho para o Brasil e mostrar que deu certo esta equipe".

Leia a entrevista na íntegra:

Da última vez que você veio ao Brasil, estava no Immortals. Como é voltar ao seu País representando o SK, o melhor time do mundo de Counter-Strike?

É como se fosse um trabalho reconhecido, sabe. Nós conseguimos colocar o Brasil de novo no topo e vamos agora lutar para manter isso sempre. Viemos para o Brasil para ver os fãs, fizemos isso como uma forma de agradecimento por tudo que fizeram por nós. É uma sensação muito boa poder comemorar junto com eles.

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Felps exaltou contato com os fãs brasileiros em evento (Foto: Felipe Guerra)

E sobre a sua entrada para o SK? Foi uma adaptação difícil para você?

Foi difícil. Eu não posso dizer por nenhuma equipe, mas eu acredito que não há nenhum time no mundo que joga como o SK. É muito diferente o estilo e o jeito deles jogarem. É impressionante as coisas que eles fazem. No começo eu fiquei muito surpreso. Eu falava: "nossa, será que eu consigo fazer isso?" Fui treinando, treinando e pegando o jeito deles. Eu mudei totalmente o meu jogo e aprendi a jogar em time. Eu acho que mudei para a melhor, eu hoje jogo para o meu time, não estou nem aí se eu mato ou não, o importante é vencer sempre. Foi difícil no começo, mas eu acho que hoje já tenho em mente como fazer as coisas.

O que o SK tem a diferente no estilo de jogo?

A primeira coisa é o fato de eles usarem o tempo. Eles usam todo o tempo possível para fazer as coisas, são regras que nós temos. Nós temos preparação para todos os tipos de situações do jogo. Nós jogamos muito em time, situações que nós sabemos que é impossível perder nós não perdemos, nós não vacilamos. São coisas que eu não tinha, no começo eu fui bem cobrado e hoje eu já entendo as situações e estou bem acostumado.

Além dessa adaptação ao time, tem o fato de você ter entrado para substituir o fnx, um jogador supercampeão e tem uma base de fãs muito grande. Foi uma responsabilidade a mais para você?

Não pelo fato de substituir o fnx, porque, eu respeito a história dele, mas confio no meu jogo e no meu potencial. Foi mais pelo nível que a SK tinha. A responsabilidade sempre foi grande, mas mais pelo nível da SK. O fnx é um grande jogador, tem o estilo de jogo dele e a equipe apostou em mim por conta do meu estilo. Tentaram mudar e deu certo.

Na sua estreia pelo SK, vocês conquistaram o vice da DreamHack Masters Las Vegas e depois fizeram dois torneios ruins. Nesse momento, você chegou a se questionar? Você teve medo de não dar certo e falhar?

Sim, eu cheguei a perguntar se eu estava sendo um problema. A SK antigamente não estava ganhando, mas estava chegando. Nessa época, nós nem chegávamos, eu não entendia o que estava acontecendo. Nós voltamos aos Estados Unidos depois de perder esses campeonatos, conversamos e nos reinventamos. Nos preparamos melhor e fizemos tudo de uma forma diferente, mas com o mesmo estilo. Foi isso... Eu cheguei a pensar, sim, que talvez a line-up não desse certo, mas quando nós nos conectamos e fizemos o time andar para a frente, nós conseguimos.

Qual foi a resposta dos jogadores à sua pergunta se você estava sendo um problema?

Eles falaram que não, que cada um tinha alguma coisa que poderia melhorar, todo mundo tem sempre, que eu tinha meus problemas também e que cada um tinha que consertar o que deveria para conseguir. Porque nós sabíamos que tínhamos potencial, só não estávamos aplicando.

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Felps chegou a duvidar se entrada dele no SK Gaming daria certo (Foto: HLTV.org)

É, tanto é que depois vocês tiveram uma sequência de títulos. O que você achou que mudou? Foi você ter se encontrado?

Foi tudo. Foi nós termos ganhado o primeiro campeonato e tirado um peso das costas, foi ter vencido Sydney depois e nos trouxe de volta ao topo, não no ranking, mas vimos que poderíamos ganhar dos melhores, contra Astralis e FaZe. Fomos para outro campeonato [Final Mundial da ESL Pro League #5] e não conseguimos ganhar, mas estava difícil mesmo. Nós sabemos quando está complicado. Fomos para a Europa para simplesmente ganhar tudo, fazer uma turnê histórica. Nós vencemos o primeiro campeonato, ganhamos confiança, fomos para o segundo, muito difícil, o mais difícil que nós jogamos e conseguimos ganhar. Foi complicado na ESL One também, mas conseguimos vencer mesmo assim, porque estávamos confiantes. Quando chegamos em Cracóvia, nós estávamos confiantes, mas pegamos uma equipe muito difícil. Nós não estávamos também no nosso melhor dia...

Acabou o gás depois dessa turnê?

Eu não diria que acabou o gás, mas eu acho que nós não estávamos no nosso melhor dia e muita gente já tinha nos visto jogar, estavam estudando um jeito de nos parar. E nós não preparamos para isso, nós imaginamos que poderia dar certo no major tudo o que usamos nos outros campeonatos, então, foi uma mistura de tudo, exaustão, cansaço dos campeonatos, falta de preparação decente, enfim... Acabou que nós pegamos um time muito bom na hora errada e saímos.

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DreamHack Summer 2017 foi um dos títulos conquistados por Felps e companhia (Foto: HLTV.org)

Quanto à sua adaptação ao time, você já se sente plenamente adaptado ou ainda tem coisa para melhorar?

Eu acho que nós temos sempre que melhorar e nos reinventarmos. Eu estou adaptado ao estilo dos meninos, mas em questão de táticas, sempre temos que nos adaptar e melhorar, porque senão, nós não conseguimos nos manter. É só você ver o major: nos estudaram e conseguiram nos vencer. Se ficarmos no padrão e acharmos que, porque ganhamos campeonatos, vamos continuar ganhando tudo, não vamos conseguir. Hoje eu estou totalmente confortável e acostumado, sei como eles jogam, sou mais confiante. Não fico mais com receio quando eu sobro, por exemplo, no jogo. Eu sei que eles confiam em mim e, como ganhamos bastantes títulos, já ganhei confiança, que antes eu não tinha 100% mas hoje eu tenho. Só precisamos nos reinventar de novo, como fizemos quando perdemos aqueles dois campeonatos na Fase de Grupos. 

Você falou uma coisa interessante, de as outras equipes estudarem vocês. É difícil estar no topo, porque passa a ser o time a ser batido, né. Como lidar com isso?

É difícil estar no topo porque as outras equipes procuram uma forma de parar você. Quando você vai jogar o campeonato, é obvio que os times falam que é a SK. 'Quando pegarmos a SK, vai ser difícil, temos que nos preparar para eles'. Quando o Astralis estava no topo, nós pensávamos desse jeito. Então os times procuram alguma forma de bater você, só que o time que reinventa e surpreende o outro sempre é o time que é difícil tirar do topo. O fnatic era assim, nós sabemos disso e nós sempre vamos estar no reinventando.

Uma coisa que nós reparamos na stream é que você está sempre quietão. O time comemora e você está sempre mais reservado. É um estilo seu ou às vezes você não se sente confortável?

Às vezes. Na ECS eu comemorei bastante e, quando fiz isso, falaram que eu estava nervoso. Quando eu não comemoro, falam que eu só quieto e sei lá o quê.

Nunca estão satisfeitos, né?

É, nunca estão satisfeitos. Mas esse meu jeito é porque eu sempre estou concentrado. Eu ganho round bonito, a coisa vem para mim, mas eu não mostro, porque quando você se exalta muito, o seu corpo muda, isso é obvio, se você grita comemora aquele round, você se exalta e pode fazer uma coisa errada no seguinte. Se eu fiz um round bonito, legal, vamos para o próximo. O cold tem mais o estilo dele de comemorar, é legal isso, o máximo que nós fazemos é gritar, mas se exaltar é só quando nós ganhamos título.

felps-frente-esl-hltv-org2Mais reservado, Felps não costuma celebrar muito as jogadas que faz (Foto: HLTV.org)

Esta equipe é supercampeã e voltou ao topo do cenário mundial de Counter-Strike. O que vocês ainda almejam conquistar?

Tem muita coisa... Nós queremos ganhar todos os títulos possíveis, principalmente do major. É o foco mesmo para consagrar. Nós queremos fazer história, nós queremos ser uma equipe que vai estar no topo ganhando tudo, se possível, enquanto estivermos juntos, enquanto estivermos em alta performance. Se nós conseguirmos fazer isso, já é uma grande conquista. Nós queremos ser a melhor equipe de todos os tempos, dar orgulho para o Brasil e mostrar que deu certo esta equipe.


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Tags: csgo, sk gaming, Counter-Strike Global Offensive, felps, encontro das lendas