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TACO conquistou títulos em meio a dramas familiares, conta mãe

Ele conquistou dois majors e muitos campeonatos internacionais. Ela venceu o câncer. Mãe e filho se uniram, apesar da distância, e superaram as barreiras impostas pela vida, cada um em seu desafio. Essa é a história de Marília de Melo e Epitácio "TACO" Pessoa, cyber-atleta de Counter-Strike Global Offensive do SK Gaming, o melhor time do mundo na atualidade.

Marília teve câncer de mama em 2013 e precisou ser forte. Foram dois anos de tratamento intensivo em Recife, cidade onde mora, e São Paulo para poder se curar da doença. Ela levou a melhor e, com sorriso no rosto e alegria contagiante, conversou com o MyCNB durante o Encontro das Lendas, em São Paulo, para falar dos momentos difíceis superados por mãe e filho.

Recifense, TACO mudou-se para os Estados Unidos em 2015, com 20 anos de idade, pela Games Academy. "Tacinho foi morar fora na época que eu estava doente. Isso não foi motivo para ele desistir, eu lidei muito bem com a doença. Encarei de boa, me sinto curadíssima", lembrou Marília, destacando a força de vontade do filho.

marilia-mae-taco-mycnbMarília superou o câncer e serviu de inspiração para o filho (Foto: MyCNB)

Naquele mesmo ano, TACO deu mais um passo na carreira ao ser contratado pelo Luminosity Gaming, time que hoje é o SK. Um passo importante, por sinal. Ele passou a defender a melhor equipe brasileira atuando em solo norte-americano. Foi um início difícil, com várias as críticas direcionadas ao desempenho dele, mas TACO seguiu e chegou ao primeiro major, o MLG Columbus, em Ohio, nos Estados Unidos, em 2016.

Se já não bastasse a pressão de jogar por uma nação, TACO havia perdido a avó, Maria Tereza. "No major, em Ohio, fazia um mês que minha mãe tinha morrido e ele venceu. Ele era alucinado pela minha mãe, sabia da minha ligação com a minha mãe como era grande. Ele ganhou e ofereceu para ela, para a vovó. Minha mãe torcia muito por ele, pena que ela não está aqui para ver esse sucesso dele". O cyber-atleta conquistou o segundo major também em 2016, na ESL One Cologne.

Marília contou que TACO, apesar de morar longe, se preocupa muito com ela e toda a família. O jeito tímido e sereno de ser esconde um jovem, hoje com 22 anos, mais forte do que parece.

Depois do major de Columbus, que havia perdido a avó, TACO deu outra demonstração de que não se deixa abalar em momentos difíceis, por mais que tenha grandes motivos para isso. Na última turnê do SK na Europa, no qual o time conquistou três títulos, Marília teve um problema na prótese da reconstituição mamária e ficou internada.

"Nesses últimos campeonatos, eu tive um problema de saúde. Tacinho sabia de tudo, mas em nenhum momento se desestabilizou, porque é um menino extremamente focado e muito maduro. Ele também sabe que eu sou uma pessoa que também não deixo a peteca cair, e ele ganhou. Impressionante, eu no hospital assistindo e ele ganhando todas", revelou Marília.

taco-autografo-encontro-lendas-divulgacaoDe férias, TACO atendeu os fãs no Encontro das Lendas, em São Paulo (Foto: Divulgação)

Questionada se a força de vontade dela para vencer o câncer foi fundamental no empenho de TACO para chegar ao lugar mais alto do mundo, a mãe foi rápida na resposta: "Claro, claro, eu acho que você tem que querer sempre o melhor. Ele é uma pessoa competitiva. Eu, quando encarei, o câncer eu falei: 'eu vou vencer'. Você tem que focar, eu foquei na minha doença, é para curar, vamos curar, foi difícil, mas passou. Tudo passa. Epitácio é extremamente competitivo, focado e equilibrado".

Além de todo o empenho do filho, da personalidade e dos títulos, Marília disse que se orgulha do filho também por outro motivo: "Eu acho muito legal ele vestir a camisa do Nordeste, aparecer de chapéu de cangaceiro, eu acho o máximo. Têm pessoas que negam as origens. Ele não nega. Ele mostra e veste a camisa. Sou super orgulhosa dele".

O começo

TACO nasceu em Recife (PE), mas morou em João Pessoa (PB). Quando conheceu o Counter-Strike, na era do 1.6, o ainda menino começou a se aventurar nas lan houses e viajar para cidades vizinhas para competir. A mãe contou que achava que o jogador viajava para jogar futsal com o time da escola.

"Tacinho sempre foi um menino muito focado no que fazia. Ele jogava futsal no colégio, sempre foi muito competitivo. Várias vezes ele ia para Campina Grande [na Paraíba] dizendo que ia jogar. Certo dia minha filha perguntou se eu sabia o que ele estava indo jogar e eu disse: 'Futsal'. E já era o CS. Quando ele chegou em casa [depois de uma viagem] eu quase matava ele: 'como é que você vai jogar CS?' Ele disse: 'Mãe, você não me perguntou o que eu ia jogar, eu não menti, eu omiti'.

Marília contou que TACO sempre foi muito dedicado ao jogo e abdicou de vários momentos com a família para jogar, o que chegou a preocupá-la. "A família ficava muito preocupada, ele vivia para jogar. Tacinho abdicou de São João, de Carnaval, de Natal, de Réveillon, de tudo para jogar. Foi muito focado. O mérito [de chegar no topo] foi totalmente dele".


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Tags: csgo, sk gaming, Counter-Strike Global Offensive, taco, marília de melo