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Conheça o casal que recebeu brasileiros de CS nos EUA e hoje é do SK

Apesar de não se colocar como peça fundamental para o sucesso dos brasileiros no Counter-Strike Global Offensive, o casal Ricardo "dead" Sinigaglia e Camila "mamacita" Pompei tem uma grande participação na reviravolta do Brasil na modalidade. Eles abriram a porta para que um sonho se tornasse realidade e viram a vida "normal" nos Estados Unidos seguir um novo caminho, o dos esportes eletrônicos. Hoje, são funcionários do SK Gaming e gerenciam a gaming house do melhor time do mundo na atualidade.

dead-camila-churrasco-reproducaoDead (esq.) e Camila (dir.) junto com coldzera, FalleN e steel (Foto: Reprodução)

Dead já conhecia de perto o cenário competitivo, mas estava afastado há muito tempo. Ele começou a jogar Counter-Strike em 2001 e criou o time CNB e-Sports Club, que viria a se transformar em organização, hoje com o ex-jogador de futebol Ronaldo "Fenômeno" como um dos sócios.

Em 2005, dead conheceu Camila e os dois começaram a namorar. As aventuras com o jogo duraram até meados de 2010 e, nesse período, dead já trabalhava na empresa que, em 2013, o transferiu para os Estados Unidos. Foi a primeira mudança na vida do casal, que se casou e começou uma nova etapa da vida no exterior.

Tudo estava dentro dos planos até que, em 2015, aconteceu mais uma reviravolta. Eles abriram a porta de casa para seis brasileiros que buscavam o sonho de fazerem sucesso no CS:GO. Foi assim que começou a ascensão do Brasil na modalidade.

"Eu os acompanhava por sites e acompanhava o cenário no Brasil porque realmente gosto do jogo. O zqk jogava comigo Source e nós sempre conversávamos. Ele entrou em contato um dia falando que haviam recebido invite para jogar a Pro League, que seria em Los Angeles. Eu falei: 'que legal, me fala onde vai ser que eu vou lá ver vocês'. Ele respondeu: 'então, nós não temos muito onde ficar, precisaríamos de uma força'. Ele perguntou se daria para ficar em casa. Eu perguntei para a Camila. Ela aceitou e eles vieram. O plano inicial de dois meses viraram dois anos juntos", contou dead ao MyCNB.

dead-camila-luminosity-arquivopessoal
Casal ao lado da formação que conquistou o primeiro título de major (Foto: Arquivo Pessoal)

A partir daí, a casa que hospedava dead e Camila e dois cachorros se transformou no primeiro centro de treinamento de Gabriel "FalleN" Toledo e companhia. Sincero, dead conta que, no início, "não acreditava que os e-sports iriam tomar o tamanho que tomou", mas ressaltou que sempre acreditou no sonho dos brasileiros.

"Foram vários os estágios nessa jornada. Eu sou uma pessoa muito emotiva - eu choro assistindo filme de terror - e eu me apeguei a eles rápido demais. Mas o que eu sempre penso comigo é que a gente atrai o que transmite, e acho que, como aceitamos a vinda deles com muito amor e liberdade, o universo conspirou para que pessoas boas estivessem perto de nós. E isso é algo que eu sempre digo: demos muita sorte por serem meninos bons. Bons de coração, de cabeça, de atitude", lembrou Camila, em conversa com o MyCNB.

"Passamos por momentos difíceis, de dúvida e de aperto, antes de as coisas começarem a se encaixar com mais clareza, mas nunca deixamos de acreditar e sempre fomos grandes apoiadores desse sonho, tanto na hora do conselho quanto na hora da bronca ou do incentivo. Quando o Ricardo diz que é o fã número 1 deles, não está mentindo. Eu fico como fã número 2 (risos)", completou mamacita.

O tempo passou e o sonho logo começou a se tornar realidade. FalleN e os companheiros foram contratados pelo Luminosity Gaming, do Canadá, venceram o primeiro major, o MLG Columbus, depois deram mais um passo e chegaram ao SK, da Alemanha, uma das mais tradicionais organizações do mundo. Tudo isso em 2016, ano em que a equipe levantou o segundo troféu de major, na ESL One Cologne. Outros vários títulos foram celebrados também.

Resultado de imagem para luminosity major mycnbBrasileiros conquistaram o primeiro major vestindo a camisa do Luminosity (Foto: HLTV.org)

A cada conquista do time, os nomes dos dois são mencionados nas entrevistas dos jogadores, que demonstram gratidão pelo que o casal fez para que tudo acontecesse. Eles foram de extrema importância para que o mundo pudesse conhecer a força que o Brasil tem no CS:GO, mas preferem deixar os méritos apenas para os jogadores.

"Eu não clico, eu ajudo em tudo que é possível, mas não clico, nem pego no mouse. Essa é minha filosofia. Eu acredito que eles são as estrelas e devem se preocupar em apenas exercer a função deles. Eu sempre vou tentar de tudo ao meu alcance para que eles consigam sempre estar focados 100% para fazerem o que fazem de melhor", ressaltou dead.

Depois que a line-up entrou para o SK, todos se mudaram da antiga casa, onde tudo começou, para outra, bem maior, alugada pela organização.

Funções no SK

Atualmente, dead e Camila são funcionários do SK. Ambos têm empresas em outros segmentos - ele no de transporte e ela no de serviços administrativos -, mas, com essa reviravolta, a atenção está mais voltada para o trabalho com os cyber-atletas.

"Ainda sigo até hoje a minha filosofia: deixar os cinco com o maior foco possível no jogo, resolvendo problemas que eu consigo resolver sem prejudicá-los. Dentro do jogo eu assisto tudo que você possa imaginar de tipo de CS, do brasileiro ao chinês, e tento identificar erros, trazer coisas novas que eu tenho tempo de procurar e os jogadores não, ajudar em vetos e etc. Tento passar a certeza de que, se precisarem de mim dentro ou fora do jogo, eu estou lá, para acertar ou errar, mas sempre tendo a certeza que estou preparado para o que vier", contou dead.

Camila, que recebeu o nick de mamacita justamente por cuidar dos meninos como uma mãe, comanda a casa e, junto com dead, atua para deixar os jogadores focados apenas nas partidas. "Tento manter tudo o mais organizado o possível, mas eu me perco várias vezes entre uma tarefa e outra. Antes era muito difícil, porque teve uma época em que eu tinha muito trabalho dos dois lados - meu negócio e um grupo de meninos- e também ajudava o Ricardo com algumas coisas da empresa dele. Era realmente uma loucura".

sk-treino-divulgacaoDead e Camila gerenciam a gaming house do SK nos EUA (Foto: Arquivo pessoal)

Agora, o amor pelos e-sports aumentou tanto que ela pensa em fechar o próprio negócio, porque "não se encaixa mais na minha rotina". "Preferi me dedicar mais a este meio [esportes eletrônicos]".

Se a Camila é a mamacita, dead seria o "papacito", mas ele opta por se colocar como irmão mais velho ao invés de "pai". "Paizão não (risos), mas um irmão mais velho que tenta ajudar para que eles sempre trilhem o caminho do sucesso. Eu estou com 31 anos, já acertei e errei bastante e acho que seria bom se eu conseguisse minimizar os erros deles pelo que eu já passei".

Orgulho

O casal é fundamental nesta trajetória de tanto sucesso - tanto que é sempre lembrado pelos jogadores. Talvez se não fosse a ajuda inicial, abrindo as portas para aquele time, hoje o Brasil não tivesse tanta representatividade internacional no CS:GO. Além do SK, dead e Camila também ajudaram e tentam ajudar os outros brasileiros que estão morando na América do Norte.

"Me sinto feliz e orgulhosa em saber que eles souberam aproveitar tudo desde o começo. Eles nos enchem de orgulho. É uma felicidade tão grande ver a carinha deles quando chegam em casa com um troféu novo, sabe? Mas sempre com vontade de ir além", destacou mamacita. "Para mim, o mais importante é que, quando estiverem com mais idade, mesmo se um dia estiverem trabalhando com algo que não tenha nada a ver, que eles olhem para trás e tenham muitas memórias e histórias boas e felizes para contar para os seus filhos e netos. Mesmo quando nós também formos memórias, que eles se lembrem de nós com muito carinho, porque eu vou levá-los no meu coração para sempre".

sk-gaming-eslonecologne2016-campeao-hltvBrasileiros do SK venceram dois majors e fizeram história em 2016 (Foto: HLTV.org)

Se comparado a Camila, Dead deu respostas mais curtas durante a entrevista, mas, ao falar do assunto orgulho, fez um discurso longo. "Orgulho sempre tenho, mas não pelos títulos que conseguimos no meio do caminho, isso foi consequência de um trabalho em grupo, ambiente e respeito. Tenho mais orgulho dos homens que eles viraram, da cultura que adquiriram. Eu tenho mais orgulho de ver hoje eles responsáveis, ajudando as famílias deles como homens, aprendendo outra língua, falando e melhorando o inglês, do que um título às vezes, porque pessoas ruins também podem ganhar títulos, mas ver de perto a evolução de caráter e responsabilidade deles me faz orgulhoso de poder ter ajudado e ter vivenciado isso".

Outros times

Inicialmente, dead e Camila abriram as portas para um time. Depois, uma nova leva de jogadores, que hoje fazem parte do Immortals, também desembarcou nos Estados Unidos e passou a receber a atenção do casal. É comum vê-los em contato com brasileiros de outras equipes nas redes sociais.

"A relação é muito boa, nós sempre tentamos ajudar todas as pessoas como podemos e creio que nos fazemos presentes. Eu entendo que é difícil ficar longe da família, principalmente no começo, então tentamos sempre estar presentes para o que precisar, seja para uma conversa ou para qualquer coisa. Hoje eu posso falar que sou feliz pelo que o CS me proporcionou, meus melhores amigo no Brasil eu conquistei em lan houses, amizades de 15 anos. E meus melhores amigos aqui [nos EUA] hoje são essas pessoas que estão e passaram pelas nossas vidas. Proporcionando vários momentos felizes e marcantes", disse dead.

dead-camila-jogadores-sk-immortals-arquivopessoalCasal e os jogadores de SK Gaming e Immortals em momento de lazer (Foto: Arquivo Pessoal)

Despedidas

Nem tudo são flores, afinal de contas, trabalho é trabalho e amizade é amizade. Desde que o primeiro time brasileiro desembarcou nos Estados Unidos, várias mudanças de line-up aconteceram. Para Camila, as despedidas são as situações mais difíceis de encarar. "Eu me apego muito fácil, e eu sofro mesmo".

Ela lembrou das saídas de boltz e steel, nas primeiras mudanças de quando a equipe ainda defendia o Luminosity. "É horrível ver quem a gente gosta triste e não poder fazer nada".

"Uma saída que me deixou em pedaços, porque eu presenciei a notícia ruim, foi a do SHOOWTIME. Que tristeza. Ali eu pensei: 'Se é alguém que amo, não quero nunca mais presenciar isso'. Que coisa horrível!", contou mamacita.

"Obviamente, com o tempo, a gente começa a entender as coisas e, infelizmente, o time tem que estar em sintonia, senão não anda. Então é isso. É um ciclo, e como todo ciclo, existe um começo, um meio e um fim. Fico feliz que continuaram a persistir neste sonho e podemos vê-los aqui de volta”.


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Tags: csgo, sk gaming, fallen, dead, mamacita